Aqui você encontra a arte de contar histórias (storytelling)
entrelaçada à educação, literatura, brincar, educação ambiental e cultura de paz.

Curso Gratuito de Contação de Histórias para adultos, jovens e crianças

A arte de contar histórias resgata cultura imaterial entre crianças e adultos

Ponto de Cultura ArteVida Reciclada mostrará como a contação de histórias
pode formar pessoas e profissionais melhor preparados

Nos últimos anos, o contador de histórias passou a ser requisitado em escolas, empresas e eventos diversos, como um facilitador nos processos de ensino-aprendizagem e comunicador que aproxima o público de diferentes linguagens e valores humanos.



Dentro de uma proposta inovadora, além dos adultos, a oficina vai atender crianças, oferecendo a oportunidade de contarem histórias para outras crianças.

A oficina começa no próximo dia 29 de abril (inscrições abertas). As aulas ocorrerão em dois períodos às quintas-feiras: pela manhã, para o público adulto, acima de 18 anos – interessados em geral, notadamente educadores de ensino formal e não formal; à tarde será a vez de crianças e adolescentes, de 9 a 14 anos.

A proposta é estimular a vertente narrativa na interação de crianças e jovens num meio social marcado pela escrita. Temas como imaginação e criatividade caminharão juntos, invocando um papel significativo para a oralidade. No que se refere aos adultos, a oficina dedicará atenção especial a educadores, apresentando técnicas para contar histórias no apoio à atividades para salas de leitura. O curso visa também despertar a descoberta pessoal diante da narrativa para que cada um encontre o(s) seu(s) jeito(s) de contar histórias. O foco maior será para educadores do Ciclo I – de 1ª a 4ª série.

O professor Fabio Lisboa é autor, contador de histórias e incentivador de leitura (http://www.contarhistórias.com.br/).

SERVIÇO:
Oficina de Contação de Histórias
Realização: Ponto de Cultura ArteVida Reciclada.
Local: Avenida Ariston Azevedo, nº 10 – Belém, próximo à Rua Catumbi.
Início: 29 de abril.
Aulas às quintas-feiras, das 9 h às 11 horas (público adulto); das 15 às 17 hs (crianças e adolescentes).
Carga horária: 36 horas
Mais informações: http://www.contarhistórias.com.br/
VAGAS LIMITADAS!

Histórias imateriais materializam a cultura humana


Se a cultura de um povo vive e se recicla na imaterialidade das histórias contadas e recontadas, numa sociedade do consumo - onde o que conta é o material e o rapidamente consumível - também as palavras tornam-se descartáveis e só queremos ouvir (ou ler) algo se aquilo for extremamente útil, rápido e palpável. Palpável o suficiente para que, depois de lido ou ouvido, seja devidamente amassado e jogado fora da memória.



Pra que desperdiçar nossa memória interna se as coisas importantes estão armazenadas nos meios externos: computadores, livros, revistas, jornais, agendas, portais, blogs, pendrives. Pra que desperdiçar nosso tempo interno ouvindo uma história e logo esquecendo-a se podemos comprá-la (ou pirateá-la) e tê-la para sempre num meio externo, pegando-a quando quisermos?

Pelo simples detalhe que as boas histórias não são facilmente compráveis, nem pirateáveis, nem pegáveis. Para que uma história se torne boa para o ouvinte ou leitor, é preciso que este, antes, entre no tempo interno proposto pela história.

Então não importa ter o livro ou o pdf (portable document format – formato de documento portátil) se não tivermos tempo e nem soubermos como entrar neste tempo imaterial de uma boa história. Não adianta ter o “arquivo” se não soubermos mergulhar nas profundezas da memória ou das sub-pastas para achar o conto e nem tão pouco soubermos a hora certa de trazê-lo à tona, entrar no seu tempo interno e contá-lo.

Adentrar uma boa narrativa é como entrar no mar, que a princípio pode não parecer muito prático ou útil... a areia entrando por dentro dos maios e grudando no corpo, o sal, a água fria, afinal, seria mais fácil entrar na piscina (ou ver um filme, rs) mas quando se está lá, é possível entrar em contato com o nosso eu mais profundo e o choque do eu com as ondas do mundo torna-se um contato prazeroso e inesquecível. A saída de volta ao mundo exterior às vezes também é difícil (os surfistas que o digam).

Além da dificuldade em sair, é muito complexo descrever uma experiência pós-banho de mar (imagine se você seria levado a sério ao tentar narrar, enquanto seus amigos querem tomar sol e água de coco, a “experiência profunda” de seu ser “mergulhando no mar infinito”)... Ou seja, transformar experiência em palavras não é fácil... Encontrar ouvidos abertos a experiências, nos dias de hoje, também não.

Já ao entrar e sair do mundo das narrativas, palavras em forma de experiência borbulham em nossas mentes.

Talvez por isso, ao sair deste tal tempo fantástico, desta introspecção interna, quem entra em contato com um conto bem contado fica com vontade de repartir as aventuras, sentimentos e aprendizados daquela narrativa com alguém. E com a narrativa em mente, parece ser mais fácil encontrar outro alguém de ouvidos atentos.

E assim, com atenciosos ouvidos, compartilhando contos, mais e mais pessoas vão ter a chance de conhecer novos tempos, novos mares, ou ainda viver uma nova experiência num mar ancestral (que esteve lá todo o tempo esperando para um “conhecimento mútuo aprofundado”). Numa boa narrativa, é possível conhecer outras culturas e ao mesmo tempo encontrar a si mesmo.

Quem sabe procurar bem - seja numa biblioteca, na internet, numa refeição com os pais ou avós, no aconchego de um colo, numa sala de aula ou de leitura, numa conversa com um amigo, ao ajudar um desconhecido ou num mergulho no mar- percebe que não é preciso ticket de entrada para ler, ouvir e participar das histórias do mundo. As boas histórias estão por aí, resta que encontrem olhos que saibam ler o imaterial e ouvidos que materializem dentro de si a cultura humana.

http://www.contarhistorias.com.br/


Fotos:
Nascer e fim do dia em Colva Beach – Southgoa - India
Esta e outros poéticos pores-do-sol em: http://blog.mobissimo.in/uploads/5_morningview_from_colvabeach_southgoa_india.jpg

Recomendação de leitura:
Mar de Histórias: Antologia do Conto Mundial – Aurélio Buarque de Holanda e Paulo Ronai (Coleção em dez volumes de um projeto que começou em 1946, demorou 44 anos para ser finalizado, já passou na mão de várias editoras, esteve esgotado e acredito que a Cosac Naify comprou os direitos para as novas edições, quem tiver mais informações, por favor, mande)...

Sobre a antologia:
A expressão que dá nome à coleção vem de uma antiga coletânea da Índia, do século XI; é a tradução do nome sânscrito Kathâsaritsâgara, que significa 'mar formado pelos rios de histórias'. Um verdadeiro oceano de narrativas, muitas delas célebres, outras traduzidas pela primeira vez para a língua portuguesa, de tal modo que a obra em seu conjunto é a mais completa panorâmica do conto universal.

Português e Tupi, Menino e Curumim, Rio e Tietê

O que o “Português Brasileiro” tem a ver com a língua Tupi? O que a literatura infantil tem a ver com a descoberta de significados? O que a recuperação do Rio Tietê tem a ver com a recuperação de seu real significado?

Os seis elementos destas 3 perguntas estão interligados. O Brasil é a única ex-colônia que fala Português sem o sotaque Português. E isto se deve, em grande medida, a influência do nheengatú (tupi). No artigo “O idioma brasileiro”, o jornalista Eduardo Fonseca (http://www.zbi.vilabol.uol.com.br/Oidiomabrasileiro.html) ressalta que as línguas africanas nos deram verbetes com os quais nos expressamos na forma espiritual, na culinária, no lazer e em gírias: Bunda, xodó, gogó, tijolo, zureta, muvuca, maluco etc... As línguas indígenas, em especial o Tupi, incorporaram ao Português verbetes que nos clareiam, até hoje, o sentido locativo e toponímico, fauna e flora: Tatuapé, Maracanã, Ipiranga, Anhangabaú (e boa parte dos estados e rios brasileiros), jacaré, tatu, garça, guará, samambaia, jequitibá etc... O Português nos deu verbetes que nos fornecem condições jurídicas, políticas e didáticas. Além destas duas grandes influências, das línguas africanas e indígenas, o português de hoje também recebeu vocábulos trazidos pela fala dos imigrantes de diversas partes do mundo, em especial, da Europa.



Quer saibamos ou não, ao falar o português brasileiro, falamos muitas coisas em Tupi (e de muitas outras línguas indígenas). Essa é a primeira coisa que surpreende o menino Giovani, personagem do livro Curumim Poranga, de Neli Guiguer. Giovani é um menino de dez anos que estava interessado em aprender a língua tupi. Em uma sala de bate-papo da internet, procurou por um indígena. Conheceu Curumim Poranga, descendente de índios, que lhe revelou um segredo: ele, Giovani, já falava tupi. Tão espantado quanto Giovani, o leitor de Curumim Poranga pode ficar, ao descobrir a poderosa influência do tupi no português falado no Brasil. Por exemplo, se alguém lhe contar que foi ao Ibirapuera, viu capivaras correndo e taturanas no Jequitibá, brincou de Peteca e comeu mingau, todos os nomes usados vieram do Tupi.

A autora, pesquisadora e colaboradora para a preservação da cultura indígena, Neli Guiguer, dá uma lista de palavras e expressões oriundas do tupi que nomeiam os lugares, a fauna e a flora do Brasil. Na verdade, sua obra é o fio condutor para uma reflexão sobre a identidade do povo brasileiro - mesmo sendo resultado de uma mistura de etnias, não podemos nos esquecer de que os verdadeiros descobridores deste solo-mãe foram os indígenas. A boa literatura infantil faz o leitor - criança, jovem ou adulto - refletir sobre quem realmente é. Ao descobrir quem somos, de onde viemos, caminhamos para uma descoberta do significado de nossa existência. Desvendar um pouco do mistério da existência das coisas ao nosso redor, das profundezas dos significados das palavras fazem parte da eterna jornada de leitores, narradores e ouvintes.

As ilustrações de Fernando Vilela acompanham o tom jovial que a autora imprimiu ao texto e derrubam o estereótipo do indígena isolado, vestido de tanga, vivendo nas matas, longe dos benefícios que a tecnologia proporciona, como a conectividade, protagonismo na descoberta e a troca de informações. O livro é acompanhado por um DVD interativo que amplia o glossário de palavras de origem tupi, seja na fauna, flora, seja em capitais e cidades, com significado, fotos, histórico indígena e curiosidades. Ainda no menu, alguns textos complementam o aprendizado, como o da biografia de Padre Anchieta. Ele foi um dos primeiros a aprender o Tupi e o elevou à categoria de língua literária, abrindo canais de expressão artística na linguagem indígena.

Quem conhecer Curumim Poranga vai entender o prazer de se aprofundar no significado das palavras. Vai perceber a importância de recuperar o significado de palavras como Tietê. Se as ancestrais capivaras já voltaram ao rio, agora falta os paulistanos entenderem que pequenas palavras aparentemente sem muita história (como bitucas de cigarro) multiplicadas por milhões, não são apagadas de sua existência só pelo fato de voarem pela janela dos carros. Sua história contribui na formação de toneladas de lixo diário e esgoto que impedem o Tietê de respirar.

“Quem faz um poema abre uma janela / respira tu que estás numa cela / abafada / esse ar que entra por ela (...)"*. Como o Padre Anchieta percebeu, o legado tupi e de todos os povos indígenas nos ensinam como os mitos se relacionam com a vida cotidiana, como a língua é literatura e arte, e a arte literária é a própria vida. O que faço ao rio, faço ao meu irmão, o que faço ao meu irmão (seja ele da terra, do ar, das águas), faço a mim mesmo. O que faço com as minhas palavras, assim será a minha vida. O que faço com minha vida, assim serão minhas palavras.

As futuras gerações devem ter a chance de falar a palavra Tietê com fluência, conhecendo sua história, sua pureza, seu momento de poluição, sufocamento e quase morte, até o seu retorno que começa com a recuperação do seu real significado: Tietê, “rio verdadeiro”.

por Fabio Lisboa
http://www.contarhistorias.com.br/

* Maria Quintana - Trecho do poema "Emergência"

SERVIÇO

Lançamento
Título: Curumim Poranga
Autora: Neli Guiguer

Data: 24/4 (sabado)
Hora: 15h30
Local: Livraria Nobel do Shopping ABC Plaza de Santo André, Av. Pereira Barreto, 42

Ilustrador: Fernando Vilela
Coleção: O universo indígena - Série Raízes
Editora: Paulinas
Pág.: 32
Preço: R$ 24,50

Mais sobre “Índios na Cidade”:
A autora Neli Guiguer é colaboradora do projeto “Índios na Cidade” (http://www.opcaobrasil.org.br/) que ajuda índios, em especial os que vivem fora de suas aldeias, a não esquecerem suas raízes e recuperarem sua história. O perseverante coordenador do projeto, Marcos Júlio Aguiar, implantou em 2009, junto com comunidades indígenas e com o apoio do Ministério da Cultura, o primeiro Ponto de Cultura Indígena de Área Urbana do Brasil. Este Ponto de Cultura fica na região do Alto Tietê (Grande São Paulo), na cidade de Mogi das Cruzes e faz parte do projeto “Pontão de Cultura – Cultura e meio ambiente, tecendo o saber”.

Mais sobre o Rio Tietê:
A Rádio Eldorado foi o veículo de mídia que mais alertou, informou a população, pressionou governos e apoiou iniciativas desde a primeira reportagem da emissora, há 20 anos, sobre a situação do Rio Tietê. A Rádio continua “antenada” no Tietê contando com a colaboração de ouvintes e internautas participativos: http://com.limao.com.br/wikisite/riotiete/index.htm

Mais sobre a Língua Tupi:
http://www.girafamania.com.br/girafas/lingua_guarani.html

Mais sobre histórias, oralidade e literatura infantil:
http://www.contarhistorais.com.br/

Carta da Terra: No Dia da Terra Oficinas, Histórias, Ações e Reflexões na UMAPAZ

Histórias, Músicas, Plantio de Árvores, Oficina sobre a Carta de Terra marcam o Dia da Terra

“Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum.” Carta da Terra.

(clique na imagem para ampliá-la)


Histórias apresentadas por Fabio Lisboa farão adultos, jovens e crianças refletirem sobre a Carta da Terra. A Carta da Terra teve seu embrião gerado na ECO 92, algum tempo depois foi reconhecida pela UNESCO e agora completa 10 anos. Para o brasileiro Leonardo Boff, um dos autores do mundo todo que participaram da redação do documento, a carta está baseada no princípio de que, se os humanos tem direitos que devem ser respeitados, a Terra também os tem.

A apresentação faz parte da comemoração do Dia da Terra na UMAPAZ (Universidade Aberta do Meio Ambiente e da Cultura de Paz, localizada no Parque do Ibirapuera em São Paulo), que envolve também a cerimônia de hasteamento da Bandeira da Terra, apresentação do grupo do Curso de Especialização em Ecologia, Arte, Sustentabilidade (IA/UNESP/UMAPAZ) da música Educação para o Futuro, plantio de árvores e na parte da tarde, a oficina Oficina “Conhecendo a Carta da Terra”.


“(...) precisamos, antes de tudo, cultivar um vínculo afetivo com a Terra: cuidá-la com compreensão, compaixão e amor; aliviar suas dores pelo uso racional e contido de seus recursos, renunciando a toda violência contra seus ecossistemas” Leonardo Boff (Resiliência e drama ecológico).

“Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida (...)” Carta da Terra.

Acesse o texto integral e mais informações:
http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/text.html

Baixe a versão para crianças produzida pelo NAIA (Núcleo de Amigos da Infância e da Adolescência): http://www.fundacaoodebrecht.org.br/CTcriancas.php

Mais informações sobre Contar Histórias e o Meio Ambiente: http://www.fabiolisboa.com.br/

SERVIÇO:
Comemoração do DIA da TERRA na UMAPAZ

10h Contação de Histórias com Fabio Lisboa

11h Hasteamento da bandeira da Terra e Apresentação grupo do Curso de Especialização em Ecologia, Arte, Sustentabilidade da IA/UNESP/UMAPAZ

11:30h Plantio de Árvores


Oficina “Conhecendo a Carta da Terra”
Data: 22/4
Horário: das 14h às 18h.
Encerramento com o músico Valter Pini
Local: UMAPAZ
Endereço: Av. IV Centenário, 1268 - Portão 7-A, Parque Ibirapuera – São Paulo/SP

Mais informações sobre a Oficina “Conhecendo a Carta da Terra”.
O curso apresentará aos participantes a Carta da Terra – declaração lançada no ano 2000, que indica princípios éticos para a construção de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica.


O programa contempla os seguintes blocos:

* Preâmbulo

* Respeitar e Cuidar da Comunidade

* Integridade Ecológica

* Justiça Social e Econômica

* Democracia, Não Violência e Paz

* O Caminho Adiante

A oficina será ministrada por Daniela Piaggio, consultora especializada em Psicologia Social e Organizacional. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas através do e-mail inscricoesumapaz@prefeitura.sp.gov.br.

Boca do Céu 2010 – Inscrições abertas (gratuitas) para o Encontro Internacional de Contadores de Histórias

O foco da edição 2010 do Boca do Céu será a importância das narrativas como experiência humana.

Regina Machado, idealizadora e curadora do evento, fala dos objetivos do Encontro e de sua estrutura pedagógica “triangular”: “A função principal desse Encontro é propiciar diferentes situações de contato com a arte da narração que possam inspirar ações educativas, culturais, sociais e estéticas que ressaltem a importância das narrativas no mundo de hoje”


“A estrutura do Boca do Céu é inspirada na Proposta Triangular para o ensino e aprendizagem da arte criada por Ana Mae Barbosa, cujos eixos são a produção, a reflexão e a apreciação da arte.”



Assim o evento se divide nos eixos:
Produção: Oficinas;
Reflexão: Debates sobre a arte narrativa, relatos e troca de experiências;
Apreciação: Apresentações de contadores brasileiros e estrangeiros para o público adulto e infantil.

No Encontro deste ano os debates e reflexões vão se estender a diversas áreas do conhecimento como psicanálise, antropologia, filosofia, música e cinema, entre outras. Dan Yashinsky, Jamie Oliviero e Robert Seven-Crows (Canadá), Marcela Romero (México), Hassane Kouyaté (Burkina Faso /França) estão entre as atrações internacionais. E os brasileiros Estevão Marques (SP), Lydia Hortélio (BA), Tapetes Contadores de histórias (RJ), Rosana Mont´ Alverne (BH), Sergio Bello (SC), entre muitos outros.

Serviço:
Boca do Céu: Encontro Internacional de Contadores de Histórias
Acesse edições anteriores, vídeos e a programação completa 2010: http://www.bocadoceu.com.br/

Inscrições gratuitas:
de 16 a 30 de abril (oficinas para as quais será preciso escrever uma carta de interesse em 15 linhas)
de 16 a 08 de maio (demais oficinas)

Data: 10/05 a 16/05
Inscrições: pessoalmente na Oficina Cultural Oswald de Andrade ou pelo site http://www.bocadoceu.com.br/
Local: Oficina Cultural Oswald de Andrade
Rua Três Rios, 363 - Bom Retiro – São Paulo -SP - tel: (11) 3221 -2662
Mais informações: 5505 9314 r. 107 com Fernanda ou pelo site http://www.bocadoceu.com.br/

FNLIJ Catálogo de Bolonha 2010 - IBBY

Conheça O mistério amarelo da noite, autores e obras selecionadas pela FNLIJ
para o Catálogo de Bolonha 2010 - IBBY - 47ª Bologna Children's Book Fair

Os indicados (e que ficaram entre os finalistas - top 5) ao Prêmio Hans Christian Andersen (o Oscar da Literatura infantil e Juvenil, já recebido pelas autoras brasileiras Lygia Bojunga e Ana Maria Machado) deste ano foram: Roger Mello (Carvoeirinhos, Meninos do Mangue e A Flor do lado de lá) e Bartolomeu Campos Queirós (Até passarinho passa, O Olho de vidro de meu avô, Tempo de vôo).

Os homenageados deste ano foram 5 dos precursores de uma literatura infantil e juvenil genuína, transformadora, inteligente e sensível: Ana Maria Machado, João Carlos Marinho, Joel Rufino dos Santos, Ruth Rocha e Ziraldo.



Marcelo Marmelo Martelo, O Menino Maluquinho, Menina Nina, Na Rota dos Tubarões – O Tráfico Negreiro e outras viagens, Bisa Bia Bisa Bel e História Meio ao Contrário são alguns dos clássicos destes autores que a cada ano conquistam novos leitores...

Bem, quem está começando a estudar sobre (ou tentando se lembrar de quando lia) literatura infantil não tem obrigação de conhecer todas estas obras mas será uma delícia iniciar a jornada por qualquer uma delas... Mas quem é da geração anos 80 que como eu (que batia figurinhas para completar um álbum) tem obrigação de se lembrar do best-seller de João Carlos Marinho: O Gênio do Crime. Desde o lançamento em 1969, a aventura dos colecionadores de figurinha que se tornam detetives para desvendar falsificadores, já conquistou quatro gerações de leitores! Um excelente começo pra quem quer relembrar ou se embrenhar no mundo infanto-juvenil!

No restante do catálogo é possível conhecer as novas produções de autores (mestres na construção de cada ideia-texto) como Marina Colasanti, Heloísa Prieto, Ricardo Azevedo, Ilan Brenman, Flávio de Souza, Celso Sisto, Roseana Murray e Cláudio Martins, entre outros, ilustradores (mestres na construção de cada ideia-imagem) como Roger Mello, Nelson Cruz, Rogério Coelho, Alexandre Rampazo, André Neves, Michele Iacocca, Fernando Vilela, Yaguarê Yamã, e autores estreantes que também tiveram vez como César Obeid, Flávia Reis e Fabio Lisboa :O)

O arquivo está em língua inglesa:

http://www.fnlij.org.br/imagens/primeira%20pagina/2010/Bolonha2010.pdf

Sobre O mistério amarelo da noite
O menino está voltando sozinho para casa e, de repente, fica tudo escuro. Seus pés chutam uma garrafa, um cachorro se assusta e começa a correria, uma perseguição maluca que o leva o até o Beco Escuro.

Escuridão, ruídos estranhos, sombras, uma casa assustadora e... o mistério amarelo da noite. Inspirado em sua prática de contador de histórias, Fabio Lisboa coloca agora em livro esses elementos fascinantes que instigam o leitor a lidar com seus sonhos e usar a imaginação.

E, no final, o leitor é convidado a se juntar ao autor e desvendar à sua maneira o mistério amarelo daquela noite. Como assim? Ah, só lendo o livro para saber!

Assista ao trailer do livro em: http://www.fabiolisboa.com.br/


Sobre a FNLIJ
A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil FNLIJ - é a seção brasileira do International Board on Books for Young People - IBBY, órgão consultivo da UNESCO, uma instituição de direito privado, de utilidade pública federal e estadual, de caráter técnico-educacional e cultural, sem fins lucrativos, estabelecida na cidade do Rio de Janeiro, cujo principal objetivo é promover a leitura e o livro de qualidade para crianças e jovens. A FNLIJ é pioneira em projetos de estímulo à leitura, ao beneficiar crianças e jovens que não têm acesso permanente a um acervo variado de obras literárias.
http://www.fnlij.org.br/

Brazilian selection of IBBY - 47ª Bologna Children's Book Fair: The yellow mystery of the night and other books

Get to know O Mistério Amarelo da Noite (The yellow mystery of the night) and other books from the Brazilian selection for IBBY - 47th Bologna Children's Book Fair:

http://www.fnlij.org.br/imagens/primeira%20pagina/2010/Bolonha2010.pdf



O mistério amarelo da noite
Fabio Lisboa. Illustrations by Rogério Coelho.
WMF Martins Fontes. 56p. ISBN 9788578272081

The best way to face fear is to play with it and demystify it. This book tells the story of a boy who is going back alone to his home and, all of a sudden, everything gets dark. When he kicks a bottle, a dog gets scared and starts to run, a crazy persecution that leads him to the Dark Alley. Darkness, strange noises, shades, an empty house and… there it is the yellow mystery of the night. In the end of the story the reader is invited to join the author in order to find out the yellow mystery of that night his own way.

Watch the trailer at http://www.fabiolisboa.com.br/

Literatura Infantil e Juvenil: Teoria, estética, interatividade, contemporaneidade

Lançamento 
Na tessitura dos signos contemporâneos:
Novos olhares para a Literatura Infantil e Juvenil



Resenha escrita por Fabio Lisboa



Conceitos teóricos tecidos com profundidade, sensibilidade estética, olhos abertos para o novo e um novo olhar para o tradicional é o que podemos esperar do livro de Maria Zilda da Cunha. A autora, coordenadora do Departamento de Literatura Infantil e Juvenil da Faculdade de Letras da USP (Universidade de São Paulo), analisa a fundo relevantes produções recentes de literatura dirigida a crianças e jovens, seus signos, sua forma interativa, seus novos jeitos de contar histórias.

Maria Zilda tece ainda a relação intertextual desta literatura com a cultura, a história e a evolução social do nosso tempo, época em que lidamos cada vez mais com signos do que com coisas. O editor ressalta que “O diálogo intertextual se faz presente em todo trabalho e amplia-se na análise da tessitura dos signos em vozes e olhares da África com Octaviano Correia em seu livro O país das mil cores e em treze obras de Ângela Lago (http://www.angela-lago.com.br/) em suas artes e experimentações literárias, no livro e na hipermídia.”

Assim, os novos signos literários são analisados em sua interligação com um todo atual, formando uma tessitura contemporânea. Para o Prof. Dr. José Nicolau Gregorin Filho, também especialista da USP em literatura infantil e juvenil “(...) ao iniciar a leitura desta obra, o leitor aceita do convite de sua autora novas maneiras de olhar, novas concepções do ver, do sentir e de ouvir. Ter a oportunidade de ler esta obra tão necessária e envolvente de Maria Zilda da Cunha é poder ganhar possibilidades outras de entender a literatura infantil e juvenil como um universo ímpar para o entendimento da nossa própria sociedade, sua maneira de pensar, sua ética e, acima de tudo, sua estética.”

Esta parece ser uma obra de interesse para professores, estudantes e autores que queiram se aprofundar na estética, na ética e na percepção de um novo olhar para a tessitura de literatura infantil contemporânea de qualidade.

Fabio Lisboa
http://www.fabiolisboa.com.br/

Lançamento: Na tessitura dos signos contemporâneos: Novos olhares para a Literatura Infantil e Juvenil
De: Maria Zilda da Cunha
Editora: Paulinas
Dia: 14 de abril (quarta-feira) Hora: 19:30h
Local: Livraria da Vila (unidade Vila Madalena) Rua Fradique Coutinho, 915 - Telefone: (11) 3816-2121 e 3814-5811
Palavras e Ações
Há mais de dois mil anos atuais e revolucionárias

por Fabio Lisboa - http://www.fabiolisboa.com.br/

Primeiro: histórias e ensinamentos, palavras e ações, uma revolução pacífica na sociedade; no fim: decepção e morte numa sociedade injusta; depois do fim: Páscoa, ressurreição, esperança numa sociedade em formação; hoje: palavras e ações são repensadas, histórias e ensinamentos revivem e uma nova visão de sociedade pode nascer.



Jesus, como Buda e Sócrates, não escreveu uma linha sobre religião, filosofia, revolução ou teorias comportamentais. Seus ensinamentos eram passados através de palavras – diárias, cotidianas, metáforas simples e profundas, textos bíblicos recontados, orações, parábolas, enfim, histórias contadas e compartilhadas oralmente – e ações – curas, ajuda aos necessitados, ações contestadoras a leis injustas (usando a não-violência) e atos de respeito e amor ao próximo (mesmo que este próximo tivesse outra crença, fosse considerado pecador, doente, impuro, criminoso ou inimigo).

O seu olhar sem preconceito desafiava de forma não-violenta os detentores de poder político e religioso. Enquanto estes acreditavam que podiam julgar que tipo de pessoas tinham valor e que tipo não, o Mestre dizia: “Não julgueis para não ser julgado”.

Quando o chamaram a “cumprir a lei” e apedrejar a mulher que havia cometido adultério sua ação foi uma não-ação (a escolha consciente de não fazer algo em que não acreditava ser certo só porque era uma ação praticada e aceita socialmente). Mas Ele não só não compactuou com os “líderes” (de forma não violenta, ou seja, simplesmente não arremessando pedras e não brigando com quem arremessasse) bem como conclamou que apenas quem não tivesse pecado que atirasse a primeira pedra.

O poder de sua não-ação (ou ação pacificadora, não-violenta) associado ao poder de suas palavras salvaram a mulher e fizeram seus agressores (cumpridores do ato desumano aceito pelos humanos de então) se retirarem e refletirem sobre seus próprios atos.

Acima da determinação das palavras escritas na lei ou das palavras e imagens irresistíveis das propagandas, acima das palavras presentes na fala de atores de Hollywood, de novelas e comercias, acima das palavras determinadas por jornalistas, professores, religiosos, contadores de histórias, blogueiros e outros profissionais da palavra (ganhando dinheiro ou não para usá-la), a sociedade é determinada, acima de tudo, em cada ação e em cada palavra de cada cidadão.

Então cada cidadão deveria escolher bem suas ações diárias (do consumo consciente às escolhas por ações pacíficas, sócio-ambientalmente justas e não-violentas) e palavras (as que valem a pena serem ouvidas, ditas e recontadas). Os profissionais da palavra podem escolher bem o que vão contar, buscando narrar a aventura humana em sintonia com suas ações e aventuras pessoais, tornando, assim, suas palavras verdadeiras e poderosas.

O indivíduo que se identifica com um modo sincero de falar e agir torna-se também um replicador deste modo de ser e, querendo, em pouco tempo acaba sendo também: um revolucionário armado de palavras e ações não-violentas. Estes serão formadores de uma nova visão para a sociedade. Ajudarão muito na transformação da sociedade do consumo em sociedade pacífica. Se chegou até aqui, provavelmente já é um destes formadores, então, em breve a gente se encontra nas formações desta sociedade, neste movimento invisível mas crescente e poderoso: uma revolução pacífica de palavras e ações.

Fabio Lisboa