Aqui você encontra a arte de contar histórias (storytelling)
entrelaçada à educação, literatura, brincar, educação ambiental e cultura de paz.

Rubem Alves – Empatia: É assim que acontece a bondade



Por Fabio Lisboa

A experiência da leitura de Rubem Alves pode nos despertar para experiências cotidianas tanto menos indiferentes, desérticas, embotadas e solitárias, quanto mais enriquecedoras, cheias de vida, emotivas e solidárias. O autor nos convida a olhar o mundo com os olhos do outro. A sermos mais empáticos. Menos frios. A enxergar a história do outro, mesmo que seja triste.

Se o contador de histórias é a história que conta, e o outro também se conta (e se encontra) aí nesta mesma narrativa, podemos ser então, ao narrar, ao mesmo tempo, nós e o outro. E assim, neste espaço comum, com nossas emoções compartilhadas e nossa capacidade de buscar finais felizes, talvez possamos tornar a nossa história – e a do outro - menos triste.

Vistas por este prisma, narrativas podem mesmo iluminar quem está na escuridão? Podem ensinar algo a quem não quer nem saber? Acredito, como Rubem Alves, que as palavras podem, sim, ser capazes de alegrar e trazer a primavera até para as areias e gelo... E quando isso acontece...

É assim que acontece a bondade
Por Rubem Alves

Contador de Histórias/Autor no Programa Universo Literário




Pareceu-me um bate-papo sobre a vida e os contos, um conta-causos no alpendre da casa, regado à leite quente e pão-de-queijo, mas foi uma entrevista ao vivo para a rádio UFMG Educativa, Programa Universo Literário, pela jornalista, bibliotecária e apresentadora (com seu simpático sotaque mineiro) Rosaly Senra.

Falamos sobre o meu livro “O Mistério Amarelo da Noite”, sobre literatura infantil, sobre os caminhos da criação literária e do contar histórias e, também, claro, contei histórias. Uma delas de terror, que ouvi muitas vezes meu avô contar, “Sozinho no Cemitério” e a outra, um trecho do livro.

A conversa durou 18 minutos e foi realizada no dia 21 de julho de 2014.

O programa de rádio da Universidade Federal de Minas Gerais idealizado pela Rosaly Senra pode ser ouvido pela internet neste link

Espero que ao ouvir, você também se lembre das conversas com os avós, dos contos - tão saborosos quanto pães-de-queijo - lidos pelos pais ao pé da cama, dos tempos de se imaginar as histórias - tão calorosas quanto chocolate quente - ouvidas nas ondas do rádio ou nos alpendres das casas.

Consegue se lembrar? Ou imaginar? Então, conduzidos por estas ondas de outrora chegamos, enfim, no agora, não?

É só clicar:

Fabio Lisboa
Referências

O Mistério Amarelo da Noite

Nelly Novaes Coelho comenta sobre o “O mistério amarelo da noite”

O Tradicional e o Novo ao Contar Histórias

Book Trailer





Rubem Alves: Homenagem à Amizade


Por Rubem Alves

Lembrei-me dele e senti saudades... Tanto tempo que a gente não se vê! Dei-me conta, com uma intensidade incomum, da coisa rara que é a amizade. E, no entanto, é a coisa mais alegre que a vida nos dá. A beleza da poesia, da música, da natureza, as delícias da boa comida e da bebida perdem o gosto e ficam meio tristes quando não temos um amigo com quem compartilhá-las. Acho mesmo que tudo o que fazemos na vida pode se resumir nisto: a busca de um amigo, uma luta contra a solidão...

Importância dos Pés, da Boca e das Histórias - e da nossa torcida pelo Brasil - em tempos de copa


Por Fabio Lisboa

A importância dos Pés

Esta o escritor e teólogo Leonardo Boff nos conta muito bem:

"Sem os pés não teríamos o futebol para o qual os pés são tudo. É o esporte mais criativo, diverso e mobilizador que existe. É uma metáfora do que melhor podemos apresentar: a combinação feliz do desempenho do indivíduo com a cooperação do grupo. Pode ser uma verdadeira escola de virtudes: autodomínio, tranquilidade, gentileza e capacidade de perdão ao não retrucar ponta-pé com ponta-pé. Porque somos humanos, às vezes tal coisa pode acontecer. Mas não é permitida. O jogador é advertido, punido com cartão amarelo ou vermelho e até pode ser expulso.

História: Nasrudin e as contas do califa


Reconto: Fabio Lisboa

O califa contratou um contabilista que se disse honesto e exímio em contas. No dia marcado, o profissional entregou as contas num bonito papel contendo uma extensa planilha.

Todavia, quando o califa conferiu o trabalho, esbravejou:

- Se tivesse me roubado, mandaria que lhe cortassem a mão, mas como você errou alguns cálculos desta planilha, vai ter que comê-la!

Enquanto o descuidado contador cumpria seu castigo, o califa mandou chamar Nasrudin, este sim um mestre em matemática e honestidade.

- Nasrudin, vocé é capaz de me entregar as minhas contas de forma impecável?

- Sem dúvida, senhor, como 2 e 2 são 4.

Depois de alguns dias, Nasrudin voltou à presença do califa e lhe entregou as contas. O homem ficou surpreso:

- O que é isso, Nasrudin? Você escreveu as contas num pão sírio?

- É que além de honesto e bom em contas, sou também prevenido, senhor.
  
História da tradição oral sufi - Reconto: Fabio Lisboa

Referências
Livro: 200+ Mulla Nasrudin Stories and Jokes – OHEBSION, Rodney (Kindle edition – loc 103)

Foto: Manuscrito islâmico contendo números e versos baseados no Alcorão parte de um gris-gris – amuleto africano. http://abudervish.blogspot.com.br/2013_01_01_archive.html

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O manto, o turbante e o jantar

História da tradição oral sufi recontada por Fabio Lisboa

Nasrudin foi convidado para um jantar suntuoso no palácio do emir. O mulá apareceu ao banquete de gala montado em sua mulinha, com suas roupas mais simples e surradas. Nem é preciso dizer que ele sequer conseguiu passar do portão de entrada vestido daquele jeito.

História Nasrudin: O Sermão


Ilustração: Bryn Barnard
Reconto: Fabio Lisboa

A fama de Nasrudin de ser um homem sábio se espalhou até que um dia o mestre sufi foi chamado a proferir um sermão na mesquita de um vilarejo. Ele concordou.

No dia combinado, numa sexta-feira, dia das orações, Nasrudin subiu ao púlpito e disse:

‘Boa tarde! Vocês sabem sobre o que eu vou falar?’

‘Não, não sabemos.’ – disseram todos.