Aqui você encontra a arte de contar histórias (storytelling)
entrelaçada à educação, literatura, brincar, educação ambiental e cultura de paz.
Palavras e Ações
Há mais de dois mil anos atuais e revolucionárias

por Fabio Lisboa - http://www.fabiolisboa.com.br/

Primeiro: histórias e ensinamentos, palavras e ações, uma revolução pacífica na sociedade; no fim: decepção e morte numa sociedade injusta; depois do fim: Páscoa, ressurreição, esperança numa sociedade em formação; hoje: palavras e ações são repensadas, histórias e ensinamentos revivem e uma nova visão de sociedade pode nascer.



Jesus, como Buda e Sócrates, não escreveu uma linha sobre religião, filosofia, revolução ou teorias comportamentais. Seus ensinamentos eram passados através de palavras – diárias, cotidianas, metáforas simples e profundas, textos bíblicos recontados, orações, parábolas, enfim, histórias contadas e compartilhadas oralmente – e ações – curas, ajuda aos necessitados, ações contestadoras a leis injustas (usando a não-violência) e atos de respeito e amor ao próximo (mesmo que este próximo tivesse outra crença, fosse considerado pecador, doente, impuro, criminoso ou inimigo).

O seu olhar sem preconceito desafiava de forma não-violenta os detentores de poder político e religioso. Enquanto estes acreditavam que podiam julgar que tipo de pessoas tinham valor e que tipo não, o Mestre dizia: “Não julgueis para não ser julgado”.

Quando o chamaram a “cumprir a lei” e apedrejar a mulher que havia cometido adultério sua ação foi uma não-ação (a escolha consciente de não fazer algo em que não acreditava ser certo só porque era uma ação praticada e aceita socialmente). Mas Ele não só não compactuou com os “líderes” (de forma não violenta, ou seja, simplesmente não arremessando pedras e não brigando com quem arremessasse) bem como conclamou que apenas quem não tivesse pecado que atirasse a primeira pedra.

O poder de sua não-ação (ou ação pacificadora, não-violenta) associado ao poder de suas palavras salvaram a mulher e fizeram seus agressores (cumpridores do ato desumano aceito pelos humanos de então) se retirarem e refletirem sobre seus próprios atos.

Acima da determinação das palavras escritas na lei ou das palavras e imagens irresistíveis das propagandas, acima das palavras presentes na fala de atores de Hollywood, de novelas e comercias, acima das palavras determinadas por jornalistas, professores, religiosos, contadores de histórias, blogueiros e outros profissionais da palavra (ganhando dinheiro ou não para usá-la), a sociedade é determinada, acima de tudo, em cada ação e em cada palavra de cada cidadão.

Então cada cidadão deveria escolher bem suas ações diárias (do consumo consciente às escolhas por ações pacíficas, sócio-ambientalmente justas e não-violentas) e palavras (as que valem a pena serem ouvidas, ditas e recontadas). Os profissionais da palavra podem escolher bem o que vão contar, buscando narrar a aventura humana em sintonia com suas ações e aventuras pessoais, tornando, assim, suas palavras verdadeiras e poderosas.

O indivíduo que se identifica com um modo sincero de falar e agir torna-se também um replicador deste modo de ser e, querendo, em pouco tempo acaba sendo também: um revolucionário armado de palavras e ações não-violentas. Estes serão formadores de uma nova visão para a sociedade. Ajudarão muito na transformação da sociedade do consumo em sociedade pacífica. Se chegou até aqui, provavelmente já é um destes formadores, então, em breve a gente se encontra nas formações desta sociedade, neste movimento invisível mas crescente e poderoso: uma revolução pacífica de palavras e ações.

Fabio Lisboa

1 comentários:

Amanda Proetti disse...

Armemo-nos, ou melhor, desarmemo-nos então! Avante e sempre!

Bjo

Postar um comentário