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Por que as coisas tem o nome que tem?



Uma história real, por Fabio Lisboa

Sempre quis conhecer o real significado das palavras. Um dia eu descobri porque o pufe se chamava pufe.

“Não faça isso, é perigoso” – meus pais sempre diziam isso quando eu fazia descobertas semânticas arriscadas como a do pufe.

Até então, “perigoso” pra mim, era sinônimo de “legal”! E “não faça isso, é legal’ não fazia o menor sentido.

Pra fazer sentido essa descoberta sobre o pufe você precisa ser criança, com agilidade suficiente para subir na cama (se possível, no segundo andar do beliche) e tamanho suficiente para caber inteirinho em cima dele na aterrizagem. Ao fazer isso, e cair em cima - e não fora - dele, este se comprime, quase estoura e faz um barulho assim: puffffff. Taí: Pufe! Pronto: você descobre o porquê do nome - e pode até, nesta fase de encantamento, brincar com ele!

Mas espere: o seu irmão menor também quer brincar e entender os porquês da vida, o porquê dessa almofada estufada ter esse nome esquisito e assim voar nas semânticas do imaginário contigo. Ele fica arregalando os olhos, tentando entender como é que você consegue ser assim tão acrobático e astuto ao mesmo tempo.

Aí a receita pra lidar com pirralhos enxeridos é a seguinte: você faz o pobre moleque ficar esperando a vez dele - que nunca chega. Peça pra ele ficar segurando o tal pufe bem de perto. Você sobe de novo, e de novo e... pufe, pufe, pufe! Até que o pufe passa da fase do “quase-quase-estoura” para “estoura mesmo”! Puffff... Aí vem a fase trágica, daquele derradeiro puffff, ou melhor, da morte do pufe que, ao se esvair, quase cega o menino de olhos atentos. Acontece que ele, o pufe, tem recheio de serragem e uma farpa de madeira entra no olho dele, do pobre garoto que só queria participar da brincadeira e entender o mundo.

De olhos vermelhos e inchados, entramos na fase do arrependimento, quando você chora junto com o seu parceiro de brincadeiras e corre até a sua mãe pra avisar da emergência surreal. Antes de você sair do quarto, ela já está entrando. Hoje eu sei que nestes casos o melhor seria correr para o oculista do pronto socorro. Na época, a minha mãe agiu por instinto. Como um mágico, tirou um lencinho não sei de onde e, em poucos segundos, a farpa e as lágrimas tinham desaparecido do olho do meu querido irmão.

Aí você aprende que cada um deve ter a sua chance de brincar. Aprende que às vezes é melhor não descobrir, na marra, porque as coisas têm o nome que têm. Aprende, enfim, que é “perigoso” não entender (ou não levar a sério) o verdadeiro significado das palavras.

História real (vivida e contada) por Fabio Lisboa

Referência:

Pufe

substantivo masculino ( 1881)
(2) espécie de assento baixo, ger. de forma circular e acolchoado.

Etimologia
fr. pouf (1755) 'espécie de toucado avolumado', (1859) 'espécie de assento, em geral, de forma circular e acolchoado', (1872) 'armação para tornar saias mais volumosas', de orig.onom.; fonte do v. fr. pouffer'soprar, inflar'; f.hist. 1881 puff; 1881 é a data para a acp. 'armação' e sXX, para a acp. 'assento'

Fonte: Dicionário Houaiss On-line http://houaiss.uol.com.br/busca?palavra=pufe

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2 comentários:

Rosita Flores disse...

Adorei esta história e sem muito bem o que é ser irmã mais nova. OPS! No meu caso, mesmo eu sendo a mais nova, era eu quem fazia essas maldades com meu irmão. Mas, apesar de eu ter as ideias para tais façanhas, era eu quem apanhava no final. Eu sempre me esquecia que meu irmão, mesmo sendo mais tímido, quieto e avesso a maldades era mais forte que eu e sabia muito bem usar disso quando eu fazia essas peraltices. ; ))

Fabio Lisboa disse...

Que legal saber que você era uma irmã mais nova com espírito de irmã mais velha, Rosita! Quero muito saber de alguma aventura entre a contadora de histórias e o seu mano, bjs!

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