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Criança e Consumo: Que histórias estamos contando e que tipo de sociedade está sendo formada?


Editado por Fabio Lisboa (www.contarhistorias.com.br)

Como se forma, hoje, a identidade de uma sociedade? O que a formação da criança brasileira que assiste, em média, mais de 5h de TV por dia, tem a ver com o consumismo? Veja algumas perguntas e respostas elaboradas pelo Projeto Criança e Consumo essenciais ao aprofundamento e debate sobre o tema.

Criança e Consumo
O projeto do Instituo Alana trabalha para conscientizar a população em geral, especialmente educadores, formadores de opinião e empresas sobre os malefícios da indução do consumo exagerado às crianças.

O impacto da publicidade nas crianças
Toda a comunicação mercadológica diz a crianças que elas serão mais felizes se possuírem ou usarem determinado produto ou serviço. Isso também é feito para atingir adultos, com a diferença de que as crianças não compreendem a complexidade das relações de consumo e acreditam literalmente no que lhes é apresentado. Essa influência pode causar distúrbios alimentares, erotização precoce, dependência de tabaco e álcool, predominância de valores materialistas, estresse familiar, dentre outros.

Estudos de diversos países apresentados por Susan Linn (Harvard University) desde o I Fórum Criança e Consumo (29/03/06) provam que crianças menores de oito anos não conseguem dissociar as propagandas ao conteúdo dos programas de TV e nem tão pouco entender o seu caráter persuasivo.

Algumas pesquisas publicadas no Journal of Consumer Research[1] demosntram que a criança só adquire plena consciência do funcionamento do discurso da propaganda após os 12 anos de idade. Por isso, a publicidade dirigida ao público infantil já foi proibida ou regulamentada em países como Inglaterra, França, Austrália e Canadá.

Bem, o Código de Defesa do Consumidor brasileiro indica que toda publicidade deve ser facilmente identificada como tal, caso contrário, deve ser proibida. Como comprovado, na maioria das vezes, as crianças não entendem a mensagem publicitária como tal, logo, a sociedade deveria exigir a confirmação da proibição da propaganda dirigida à criança.

Existe alguma legislação que regule a publicidade dirigida à criança no Brasil?
Não há ainda uma lei expressa que proíba a publicidade dirigida ao público infantil. No entanto, alguns instrumentos legais que tratam dessa questão na Constituição Federal, no Código de Defesa do Consumidor (CDC) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Além disso, em 2006, o Código de Ética adotado pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) adotou regras contrárias à publicidade imperativa ao público infanto-juvenil.

Por que toda e qualquer publicidade dirigida à criança é abusiva?
De acordo com a interpretação conjunta da Constituição Federal, do Estatuto da Criança e do Adolescente e do Código de Defesa do Consumidor, o Brasil já proíbe qualquer publicidade dirigida a crianças.

Veja os artigos do Código de Defesa do Consumidor que tratam dessa questão
O artigo 37, ao proibir a publicidade abusiva, repudia a mensagem publicitária que se aproveita da deficiência de julgamento e experiência da criança. O artigo 36 indica que toda e qualquer publicidade deve ser facilmente identificada como tal, proibindo a publicidade mascarada, subliminar ou que não se apresente como publicidade. Como, na maioria das vezes, as crianças não entendem a mensagem publicitária como tal, esse é mais um motivo que caracteriza sua ilegalidade.

O consumismo infantil
Os adultos de hoje também nasceram na lógica do consumismo. Ensinam valores e comportamentos que induzem os pequenos ao consumo desenfreado. Transformações no núcleo familiar - dupla jornada de trabalho das mulheres, aumento da violência urbana, substituição dos espaços públicos por privados - também contribuem para que as crianças fiquem mais tempo sozinhas e expostas a mensagens persuasivas. A comunicação mercadológica dirigida a esse público é um dos principais causadores do comportamento consumista.

Exposição precoce
A criança brasileira é uma das que mais tempo passa em frente a TV, em 2007 foram 4h50m por dia[2]. Em 2010 a média já passou das 5h diárias! Um levantamento do Projeto Criança e Consumo, feito em outubro do mesmo ano, mostrou que, em apenas um dia daquele mês, as crianças ficaram expostas a mais de mil inserções comerciais. 
A TV é vista como uma eficiente babá. Suzan Lynn alerta que crianças de 2 anos já sabem nomear mais de 200 marcas enquanto a maioria tem dificuldade em dizer o próprio sobrenome. Grande parte das atividades de lazer e momentos afetivos dos pais com as crianças estão ligadas à compra de bens materiais. Muitos se esquecem da importância do brincar, contar histórias, dialogar, do contato com a natureza e da construção de valores humanos “imateriais”.

Como preservar as crianças do consumismo
Estabeleça limites para o tempo de exposição e na escolha da Programação de TV e de outras mídias eletrônicas (como vídeos e jogos on-line). Encontre alternativas de lazer que não envolvam qualquer tipo de mídia. Brinque, leia, converse, conte histórias, jogue e cozinhe com as crianças. Estimule-as a tocar (e criar) instrumentos musicais, cantar e a desenhar. Não atrele os momentos das refeições ao ato de assistir à televisão. Não permita que seus filhos fiquem por horas assistindo à tevê. Ensine e pratique hábitos de consumo consciente baseados nos 4Rs (repensar, reduzir, reutilizar, reciclar). Incentive as crianças a brincar. O ato é fundamental para o desenvolvimento psíquico-motor, corporal e social dos pequenos.

Informe-se sobre o tema “Criança e Consumo” e compartilhe sua opinião e seus conhecimentos!

Referências

Matéria no site da Revista Claudia: Transforme a TV em uma aliada das crianças Foto: http://claudia.abril.com.br/materias/3075/?sh=34&cnl=45

Postagem sobre a importância dos primeiros contatos afetivos através das histórias e do diálogo com os pais: Por que contar histórias para bebês e crianças?

Matéria de treinamento para professores (e pais) do Projeto ABC (Aprender, Brincar, Cuidar): Brincar, contar histórias, cantar, dialogar: A importância destas atividades para o desenvolvimento infantil

Assine o Manifesto: Publicidade Infantil NÃO

Saiba mais sobre o Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana.


[1] John, D. R. Consumer socialization of children: A retrospective look at twenty-five years of research. Journal of Consumer Research, 26 (December 1999), 183-213.
[2] Fonte: Painel Nacional de Televisores (IBOPE/2007) – crianças entre 4 e 11 anos, classe ABC.

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