Aqui você encontra a arte de contar histórias (storytelling)
entrelaçada à educação, literatura, brincar, educação ambiental e cultura de paz.

Contar Histórias na escola: desafio para professores iniciantes (e contadores de histórias)


Participação ativa dos alunos durante a aula de leitura e produção de textos na escola pública estadual José Candido de Souza em São Paulo
Uma-ideia-brilhante-que-depois-não-parecia-tão-boa- assim-mas-era-boa-mesmo-e-deu-certo
por Mariana Pesirani

Diante do desafio de dar aulas pela primeira vez, a pergunta que não queria calar na minha mente, ou melhor, a pergunta que gritava dentro da minha cabeça para se fazer ouvir em meio ao barulho da sala de aula do sétimo ano era: como vou fazer essas crianças me ouvirem? Como vou conseguir ler alguma coisa com eles nas aulas de Leitura e Produção de textos???

Clic! Uma ideia brilhou como uma luzinha amarela que se acende. Luz amarela... Isso é familiar... Amarela... Amare... Amarelo... O Mistério Amarelo da noite! O livro que o Fabio, amigo que fiz na faculdade, escreveu. Além de ser um livro gostoso de ler, já vi o Fabio contando essa história. Oba! Já tinha por onde começar!!!

Quando levei o livro para a sala de aula, contei para os alunos, antes de começar a ler, que conhecia o autor do livro e que ele não é só escritor, mas também contador de histórias. Foi ótimo ter começado assim, porque todos ficaram achando super interessante o fato de eu conhecer um escritor de livros. E olha só o que eu consegui: silêncio. Já podia começar a leitura. Depois de ter lido O mistério amarelo da noite, pensei que seria uma experiência interessante trazer o Fabio para conversar um pouquinho com meus alunos, pois já que acharam tão interessante eu conhecer alguém que escreve livros, com certeza eles adorariam conhecer um escritor de livros também.

No dia combinado, os alunos dos sextos e sétimos anos foram reunidos no auditório da escola, onde o Fabio já estava pronto para contar histórias e falar sobre o Mistério Amarelo. Eu e as outras professoras estávamos prontas para ouvir, porém os alunos... Que bagunça! Fala, grita, cutuca, reclama... Nada de atenção... Como eu estava frustrada... Pensei que os alunos iriam adorar esse momento, mas eles transformaram o auditório em um caos... Se bem que o caos é uma ordem por decifrar, então decidimos fazê-lo! O Fabio começou a contação de histórias, começou por uma história sem palavras, toda contada com mímicas, e depois partiu para a temática da superação dos medos, a qual diz respeito ao livro O Mistério Amarelo da Noite. Mas tudo foi feito em meio a muito barulho, os alunos não paravam de falar... Afinal, o que tanto eles falavam?!?

Comecei a ouvir as palavras em meio à história sem palavras: “Ele tá subindo... Tá subindo num prédio”, “Tá subindo num prédio bem alto”, “Ele vai cair”. Olha só! Então esse barulho todo é para entender a história! Depois disso, ouvi várias histórias contadas no meio da platéia sobre medos. Meus alunos não só estavam prestando atenção, mas também estavam envolvidos com tudo que estava sendo dito no auditório, apesar de estarem demonstrando isso de uma forma nada convencional. Entendi então que a relação com as histórias, com a leitura e a “postura” necessária dos envolvidos em tal relacionamento, é coisa que se aprende convivendo com histórias, livros e Cia ilimitada. Não seria de repente que os alunos aprenderiam a se comportar em uma situação talvez nunca vivida por muitos ali presentes, mas aprenderiam se eu lhes desse novas oportunidades para tentar, afinal, mostras de que gostaram das histórias e do Fabio foram dadas nos cumprimentos e abraços que ele recebeu da criançada. Assim ficou decidido que as histórias devem fazer parte da rotina da sala de aula, pois, além de servirem como ótimo instrumento para trabalhar a comunicação oral, “aprender” a falar e a ouvir na hora certa, com elas os alunos aprendem, refletem e se divertem ao mesmo tempo.

Por alguns momentos, alunos se deixam encantar pelas histórias contadas
 
Mariana Pesirani é linguista, licenciada em Letras pela USP e, atualmente, faz mestrado em Educação na Faculdade de Educação da USP. Começou a dar aulas na escola pública  em fevereiro de 2011 e gosta de histórias desde que era criança.

1 comentários:

Patricia Galante - Psicologa clinica disse...

Um novo continho para discutirmos temas de reflexão...

Espero que goste.

Um abraço

http://vivercomfilhos.blogspot.com
http://patricia-galante.blogspot.com

Beijinhos e te vejo por lá

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