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História: Os primeiros homens, cachorros e pedras




Nossos povos ancestrais conviviam de perto com os animais e aprendiam muito com eles. Até mesmo sobre a alegria e a dor do surgimento da vida e da morte. Esses nossos antepassados nos contam que, no princípio dos tempos, o Criador criou tudo para que fosse eterno. Nessa época, nada mais precisaria ser criado e nem transformado, por que nada morria. Nenhuma rocha, planta ou animal morria, mas também nada nem ninguém nasciam.

Havia no mundo uma tribo de homens e mulheres e um bando de cada espécie animal e só.
Apesar de não faltar comida e nem espaço, os homens começaram a brigar entre si por estas coisas. Queriam uns mais espaço e mais comida do que os outros!

Começaram a matar muitos seres vivos. Isso gerou revolta entre os animais que tentaram atacar o homem. Como na maioria das vezes não obtiveram sucesso, começaram a fugir do homem e também a atacarem-se uns aos outros. A ganância das pessoas desestabilizava o mundo, entristecia o Criador e logo algumas espécies de animais deixariam de existir para sempre.
Nessa época, os cachorros tentaram domesticar o homem e se afeiçoaram de sua tribo. O cães protegiam os homens e em troca ganhavam restos de comida e carinho. A família canina começou a ensinar à família humana sobre companheirismo, respeito, simplicidade, amor e perdão. Interconexão entre os seres...

Com os cachorros por perto, as brigas e a ganância diminuíram. As conexões entre as diferentes raças e formas de vida aumentaram. Mas havia poucos cachorros para muitos homens. E a destruição e desarmonia continuaram.

Os cachorros decidiram: nosso grupo precisa crescer!
Foram até o Criador: - Senhor, queremos ter filhotes.
-Mas se tiverem filhos, um dia vocês morrerão.
- Estamos preparados. Deixaremos o mundo melhor para eles.
- Serão mesmo fiéis a este compromisso? Tem certeza que agüentarão as conseqüências do surgimento da vida e da morte?
- “Sim, meu Senhor, se nos conceder a dádiva da vida, seremos fiéis até a morte. Durante a nossa breve passagem por este lugar, deixaremos o lugar por onde passarmos melhor.”

E assim foi feito. E assim quiseram fazer todas as plantas e animais, inclusive o homem. Porque todos ficaram maravilhados com as ninhadas e o nobre compromisso canino, então todos firmaram o mesmo compromisso.

Bem, as pedras não quiseram ter filhos, não foram falar com Deus e não fizeram compromisso algum. Elas não tem limite para morrer. Mas nós temos, os cachorros tem e sabemos que, na maioria das vezes, viverão menos do que nós. E mesmo vivendo menos, quando estão partindo, eles nos dão a chance para que, pelo menos nessa hora, possamos retribuir toda a fidelidade, companheirismo e amor de uma vida.

Mesmo que às vezes pareça que o homem de hoje não liga para o futuro do mundo ou dos filhos... Mesmo que ele nem queira ter filhos... Esse é (ou deveria ter sido) o nosso compromisso firmado com o Criador desde o início de nossa infância humana: “Durante a nossa breve passagem por este lugar, deixaremos o lugar por onde passarmos melhor.”

Mito de criação recriado por Fabio Lisboa baseado em mito africano (referência: Beier, Ulli – the origin of life and death: African Creation Myths (58-59) London: Heinemann, 1966 e YASHINSKY, Dan – Suddenly they heard footsteps –University Press of Mississipi, 2006 ). No original, são as tartarugas quem primeiro escolhem ter filhos. A homenagem aos cachorros é dedicada à Juma, companheira da família que, durante os 13 anos que viveu, deixou o nosso lar e os lugares por onde passou, um pouco melhores.

Foto:
Fascinante e comovente a história por trás das fotos de Gregory Smith, que se mudou da Europa para o Brasil para criar um centro de recuperação para crianças em situação de rua (http://www.carfweb.net/pdf/carf_story_04.pdf)

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