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Importância dos Pés, da Boca e das Histórias - e da nossa torcida pelo Brasil - em tempos de copa


Por Fabio Lisboa

A importância dos Pés

Esta o escritor e teólogo Leonardo Boff nos conta muito bem:

"Sem os pés não teríamos o futebol para o qual os pés são tudo. É o esporte mais criativo, diverso e mobilizador que existe. É uma metáfora do que melhor podemos apresentar: a combinação feliz do desempenho do indivíduo com a cooperação do grupo. Pode ser uma verdadeira escola de virtudes: autodomínio, tranquilidade, gentileza e capacidade de perdão ao não retrucar ponta-pé com ponta-pé. Porque somos humanos, às vezes tal coisa pode acontecer. Mas não é permitida. O jogador é advertido, punido com cartão amarelo ou vermelho e até pode ser expulso.

Se consultarmos o dicionário Aurélo encontramos aí mais de uma dezena de significações ligadas ao pé, em sua grande maioria positivas. Com o pé em algumas destas significações, vamos fazer o elogio do pé, pé que sustenta a paixão pela Copa do Mundo. Num mundo politicamente sem pé nem cabeça, com chefes de Estado metendo os pés pelas mãos nos conflitos (...) e sempre em pé de guerra contra o terrorismo, encontramos no futebol um pé para pensarmos uma sociedade mundial que dê pé para formas de convivência amigável e até fraternal que encontram pé de apoio no entusiasmo das torcidas em todos os países."

Importância da Boca e das Histórias

Histórias de boca são aquelas contadas oralmente que chegaram até nós vindas de tempos em que a cultura escrita ainda era muito restrita.

Era importante que fossem passadas boca a boca e ficassem na memória pois traziam em seus enredos ensinamentos para a vida. Quanto mais se ouvia, mais se sabia e mais se praticava estas histórias. Tanto que um sábio sempre sabe muitas histórias e sabe, também, ouvir.

Todavia, mesmo depois da cultura escrita universalmente disseminada, e da escuta aparentemente mais dispersa, as narrativas provindas da tradição oral continuam circulando hoje em dia. Quem aprende a ouvir hoje as histórias de boca muito em breve está mais preparado para entender e prever as causas e consequências dos atos dos personagens e, consequentemente, antes de agir, aprende a refletir melhor sobre os seus próprios atos.

Se o Luis Suárez (jogador uruguaio com fome de bola e algo mais que mordeu seu adversário italiano - por incrível que pareça, um recurso recorrente do atacante - e foi expulso da Copa 2014) tivesse ouvido mais histórias saberia que suas atitudes geram consequências. O treino do imaginário nos ensina a controlar melhor os nossos instintos e agir com mais consciência (fair play) na hora dos jogos da vida, mesmo nos momentos de conflito ou de vontade insaciável (de vencer)!

A importância da nossa torcida de contadores de histórias

Torcemos para que o Brasil vença os desafios da copa (e da nação), fase após fase,  dia após dia, jogando limpo, com menos aparência e mais consciência, com mais coração, envolvimento, cooperação e menos reclamação, inconsequência, destruição. Com menos expulsões por agressão ou falta de educação, com mais boas leituras e histórias pra contar no futuro.

Torcemos para que as histórias de boca não sejam contadas com mordidas agressivas e pedradas nas vidraças e sim com doces palavras e pedras fundamentais. A boca pode delinear um caminho celeste para a construção do pensamento. Ela pode soltar no ar intenções e transformadoras ideias que nos ensinam a pensar alto. E libera também as emoções e doces palavras que nos ensinam a amar.

Que a copa 2014 no Brasil seja um pontapé inicial de renovadas alegrias, amor, boas narrativas e transformações em nossa sociedade - e que estas não passem desapercebidas como o chute inaugural dado pelo paraplégico Juliano Pinto com o exoesqueleto experimental do projeto “Andar de Novo” liderado pelo cientista brasileiro Miguel Nicolelis. Para ele: "Coube a Juliano usar o exoesqueleto, mas o chute foi de todos." – não só dos 156 pesquisadores de diversos países mas de todos os brasileiros e cidadãos do planeta.

Ganhar ou perder no campo de futebol importa menos do que o que vamos aprender e guardar na memória e colocar em prática, seja com a visita dos estrangeiros que limpam o lixo (não só o próprio) por onde passam, seja com craques e penteados isolados, seja com vitórias sofridas ou derrotas amargas de um time, seja com o choro de alegria ou de tristeza desta ou daquela nação.

Vamos mostrar, contar e recontar o que é bom! Imagina na copa! Imagina depois dela! Que as histórias estejam na cabeça, os pés no chão, a boca no céu e as mãos à obra!
Referências

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2 comentários:

Patrícia Gomes disse...

Fábio, adorei seu texto, mas - SINCERAMENTE - aliar a copa do mundo NO BRASIL a qualquer símbolo bom é algo impossível. Não sou de nenhuma tribo black, apenas tenho uma filha de 5 anos que acha que o Hino Nacional é "a música da Copa". Mas ela não sabe quem é Dayane dos Santos.

Iara Lisboa disse...

Olá Fá, fico orgulhosa por vc ser meu filho e escrever e ou reescrever sobre o assunto do momento COPA 2014, e a abrangencia deste grandioso fato para todos.
Desejo tb q saibamos usar estes momentos para, além de curtir o futebol em si, estar presente naõ só nos estádios e nos aparelhos retransmissores mas, presentes em nós mesmos transferindo toda esta alegria e paz às pessoas, pois não importa quem , mas haverá um vencedor e um perdedor e assim é a vida " ganhando ou perdendo mas sempre aprendendo a lição" como disse o poeta.
Bj Mã

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