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Viagem Literária 2014 - Entrevista com o Contador de Histórias

Por Fabio Lisboa

Entrevista do contador de histórias e autor Fabio Lisboa para o repórter Thiago Barreto sobre a Viagem Literária, programa da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

Quais as suas expectativas para a Viagem Literária deste ano?

Grandes expectativas, afinal, neste ano me propus a contar a história de meu livro, O Mistério Amarelo da Noite, que é baseado em fatos que ocorreram na minha infância. Bem, claro que os fatos foram recheados de imaginação e aventura. E, na hora de contar, convido os ouvintes a se aventurarem comigo no lugar mais escuro e assustador do meu imaginário infantil: o Beco Escuro! A ideia é que, ao "entrar" neste local fictício, cada ouvinte leve tanto seus próprios medos quanto sua luminosa coragem. E assim, embarcarmos nesta Viagem Literária!

Como surgiu a vontade de se tornar um contador de histórias?


Desde o jardim da infância, meus pais me encantavam com os clássicos da literatura infantil. Quando menino, meu avô me fascinava com suas histórias "de boca". Jovem, comecei a ler muito e até a escrever. Sonhava em ser escritor. Mais velho, depois de me formar e descobrir que a publicidade não seria suficiente para alimentar os meus sonhos, ao escolher uma nova profissão, comecei lendo e contando histórias num projeto voluntário. A alegria e realização foi tanta que logo virei profissional, e descobri, há mais de 10 anos, que era isso que eu queria fazer para o resto da vida.

Você acha importante os pais incentivarem as crianças a lerem livros fora da escola?

O papel dos pais é fundamental na formação dos futuros leitores. O gosto pela leitura na verdade se adquire antes mesmo de a criança saber ler. Os pais, ao lerem e contarem histórias, criam momentos afetivos de sonhos e de descobertas inesquecíveis para os filhos. Essa magia acontece quando, por exemplo, estes compartilham um livro ao pé da cama, antes de dormir. Assim, ao aprender a ler, as crianças mantém o prazer de sonhar e descobrir o mundo por meio das páginas de um livro.

Em um mundo onde os celulares e outras tantas mídias dominam a atenção das crianças, o que fazer para que elas não percam o gosto pela leitura?

Nada supera o poder da imaginação. Nem as novas mídias. Especialmente, para quem descobre o gosto pela leitura e, assim, aprende a usar o seu poder imaginativo. Por isso, quem lê um livro e depois vê um filme baseado na obra raramente prefere o filme. O problema é que muitas crianças e mesmo jovens não chegam a ter incentivos suficientes para que se tornem leitores fluentes e aprendam a usar o seu próprio imaginário. Então o segredo para que os livros sejam amados é, independente dos novos recursos audiovisuais, que os pais e professores incentivem as crianças e os jovens a descobrirem, em si mesmos, o recurso inigualável da leitura e da imaginação.

E para encerrar, qual foi o primeiro livro que você leu e com qual idade?

Assim que aprendi a ler com autonomia e a literalmente viajar nas narrativas, por volta dos sete anos, adorava os livros da Série Gato e Rato, como Fogo no céu, e O rabo do tatu. Os autores Mary e Eduardo França conseguiram captar, em poucas e bem escolhidas palavras e ilustrações, histórias fáceis e gostosas de ler. Ainda me lembro até hoje do orgulho de ler e reler incontáveis vezes estes pequenos contos tentando desvendar suas tramas: afinal, um tatu com rabo de macaco continua sendo tatu? Naquela época, tentava entender como estas narrativas me despertavam emoções e a vontade de conhecer mais de mim e do mundo destes incríveis personagens. Mais de trinta anos depois, continuo tentando entender as emoções contidas num conto e entrando, encantado, nestas verdadeiras viagens de descoberta.


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