Aqui você encontra a arte de contar histórias (storytelling)
entrelaçada à empatia, mediação de leitura, educação, brincar, sustentabilidade e cultura de paz.

História: Nasrudin e as contas do califa


Reconto: Fabio Lisboa

O califa contratou um contabilista que se disse honesto e exímio em contas. No dia marcado, o profissional entregou as contas num bonito papel contendo uma extensa planilha.

Todavia, quando o califa conferiu o trabalho, esbravejou:

- Se tivesse me roubado, mandaria que lhe cortassem a mão, mas como você errou alguns cálculos desta planilha, vai ter que comê-la!

Enquanto o descuidado contador cumpria seu castigo, o califa mandou chamar Nasrudin, este sim um mestre em matemática e honestidade.

- Nasrudin, vocé é capaz de me entregar as minhas contas de forma impecável?

- Sem dúvida, senhor, como 2 e 2 são 4.

Depois de alguns dias, Nasrudin voltou à presença do califa e lhe entregou as contas. O homem ficou surpreso:

- O que é isso, Nasrudin? Você escreveu as contas num pão sírio?

- É que além de honesto e bom em contas, sou também prevenido, senhor.
  
História da tradição oral sufi - Reconto: Fabio Lisboa

Referências
Livro: 200+ Mulla Nasrudin Stories and Jokes – OHEBSION, Rodney (Kindle edition – loc 103)

Foto: Manuscrito islâmico contendo números e versos baseados no Alcorão parte de um gris-gris – amuleto africano. http://abudervish.blogspot.com.br/2013_01_01_archive.html

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O manto, o turbante e o jantar

História da tradição oral sufi recontada por Fabio Lisboa

Nasrudin foi convidado para um jantar suntuoso no palácio do emir. O mulá apareceu ao banquete de gala montado em sua mulinha, com suas roupas mais simples e surradas. Nem é preciso dizer que ele sequer conseguiu passar do portão de entrada vestido daquele jeito.

História Nasrudin: O Sermão


Ilustração: Bryn Barnard
Reconto: Fabio Lisboa

A fama de Nasrudin de ser um homem sábio se espalhou até que um dia o mestre sufi foi chamado a proferir um sermão na mesquita de um vilarejo. Ele concordou.

No dia combinado, numa sexta-feira, dia das orações, Nasrudin subiu ao púlpito e disse:

‘Boa tarde! Vocês sabem sobre o que eu vou falar?’

‘Não, não sabemos.’ – disseram todos.

História real: Gato herói salva criança


Por Fabio Lisboa - baseado em reportagem ABC News

O que leva um ser a arriscar a própria vida por outro? Mesmo que este outro seja de outra espécie? Mesmo que o salvador seja de uma espécie que tem fama de "cuidar somente do próprio nariz", que história é essa? Bem, quem já salvou ou adotou qualquer tipo de bicho, em especial mamíferos, como gatos, sabe que a história é outra.

O menino Jeremy Triantafilo, de 4 anos, está na frente de sua casa quando, de repente, é atacado e arrastado violentamente pelo cachorro do vizinho.

História: O sentido da vida


História da tradição oral japonesa recontada por Dan Yashinsky

Nesta história zen, o discípulo pergunta ao mestre:

- Mestre, qual o sentido da vida?

SLAP!

O professor estapeia o aprendiz... E diz:

- Como você ousa trocar uma pergunta tão bonita quanto essa por uma resposta?


História zen recontada por Dan Yashinsky - tradução e adaptação: Fabio Lisboa


Referências
História ouvida na oficina de Dan Yashinky durante o Boca do Céu – Encontro Internacional de Contadores de Histórias 2014

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Fazer os humanos mais humanos


Uma história real e reflexões sobre contar histórias, aproveitar o tempo e nutrir os filhos de afeto enquanto ainda é tempo

"Siga sua lenda, não perca tempo."
Geofrey Chaucer

"Contar histórias desperta a confiança da criança - bem no fundo de cada um de nós vive uma matriz nutridora de segurança e calor. No reino das histórias podemos explorar e afirmar as mais altas e melhores qualidades que sentimos com os cuidados maternos e recriar esse ideal impecavelmente sábio, belo e generoso."
Nancy Mellow

Por outro lado, em oposição à descrição de "Boa Mãe" de Nancy Mellow, ao abdicar de contar histórias, ao não ser generosos a ponto de doar uma boa porção de nosso tempo integralmente aos filhos, deixamos de lhes apresentar ideais de beleza, sabedoria, e de lhes prover de coragem para enfrentar os momentos de solidão. Não compartilhar momentos de entrega total ao seu mundo lúdico como fazemos ao contar histórias e brincar, é como deixá-los em meio à desertos afetivos, sem provê-los de elementos essenciais à sobrevivência humana em ambientes amorosamente isolados ou emocionalmente inóspitos.

Estrelas cadentes podem realizar desejos

Eta Aquarídeos registrados em 2013 na Austrália pelo astrofotógrafo Colin Legg
Estrelas cadentes podem, sim, realizar desejos. Principalmente se o seu desejo é ver estrelas cadentes e você não mora numa cidade encoberta pela poluição, pela luminosidade excessiva e está lendo isto no tempo certo (duplamente) - ou seja, em noites com o céu aberto e na primeira semana de maio de 2014. Neste período,  rastros do cometa Halley, 28 anos depois de sua passagem 56 milhões de quilômetros rente ao nosso planeta, voltam a cair na Terra criando um chuva de meteoritos, mais poeticamente conhecidos como estrelas cadentes.
  
Mas se não estiver lendo este post no “tempo certo” e nem na cidade certa saiba que você também pode enxergar estrelas cadentes, realizar desejos e até desanuviar um céu nublado. E tudo começa com uma história.

Boca do Céu 2014 – Inscrições, Programação e Histórias do Encontro Internacional de Contadores de Histórias



Como sempre, a maravilhosa programação do Boca do Céu é toda gratuita. Dessa vez, além das atividades na Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo – SP, próxima ao metrô Tiradentes), parte da programação ocorre no Instituto Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149 – São Paulo/SP – próximo ao metrô Brigadeiro).

As inscrições para as oficinas ocorrem de 7 a 14 de abril diretamente pelo site Boca do Céu (links seguem abaixo). Para o restante da programação, normalmente são distribuídas senhas no dia, uma hora antes de cada atividade.

Veja a seguir o que diz a idealizadora e curadora Regina Machado sobre a edição 2014 e, no final do post, algumas histórias de mestres contadores de histórias que já passaram em edições anteriores pelo Boca.

Roger Mello vence o Prêmio Hans Christian Andersen 2014


Roger Mello é o ilustrador brasileiro ganhador do Prêmio Hans Christian Andersen 2014, equivalente ao Nobel da Literatura Infantil e Juvenil!

Isso é história

Silvester Stallone - Rambo III
por Fabio Lisboa
sobre projeto de Oldimar Cardoso

O que é história? Por que a gente estuda na escola a matéria chamada “história”? O que o terrorismo tem a ver com justiça e liberdade? O que Osama bin Laden tem a ver com Rambo? O que o blog “Contar Histórias” e os narradores orais tem a ver com tudo isso, rs? E afinal, o que fazemos, contamos estórias ou histórias?

História: Um bom lugar para construir um templo

  
Tradição oral - Reconto: Fabio Lisboa

 Deus estava à procura de um local sagrado para que ali se construísse um templo. Em Jerusalém, observou dois irmãos que colhiam trigo. Nesses dias, há mais de 4 mil anos, esses dois homens simples do campo presenciariam um milagre.

História: O Anel do Rei e a Justiça

História da tradição oral – reconto: Fabio Lisboa

Era uma vez, há muito tempo na África, no reino Monomotapa, um rei que era conhecido por buscar sempre a justiça e a verdade. Esse rei possuía um anel poderoso. Diziam que com o anel o rei podia enxergar a verdade até mesmo por trás de palavras falsas. E com a ajuda do poder do anel, a justiça sempre saia triunfante.

O anel havia sido forjado por artesãos de outros tempos e acompanhava os reis desde então. Era feito de ouro do rio Nilo, incrustrado com adornos de prata do rio Congo e cravejado de diamantes do rio Zambezi. O anel, assim como rei, representava a união de várias tribos da África, em especial das regiões que hoje conhecemos como Zimbábue e Moçambique.

Os chefes espirituais das várias tribos, que eram os responsáveis pela escolha do rei Monomotapa, viviam em certa harmonia, com exceção de Roswi, que não havia escolhido aquele rei, que questionava o seu poder e cobiçava o seu anel.

História: O velho, o fardo e a morte

 
 História da tradição oral recontada por Fabio Lisboa

Um velho caminha a passos lentos pela estrada... Carrega nas costas um fardo pesado.

O homem, encurvado, não aguenta mais sustentar aquela carga na vida. Até tal ponto que, bufando, joga o fardo no chão, praguejando:

- Ufff, que fardo pesado é esse que eu carrego nesta vida! Se continuar desse jeito, de que adianta viver? Seria melhor encontrar logo com a MORTE.

O ar fica pesado e a morte aparece:

- Me chamaste?

O velho, sem graça, se abaixa rapidamente dizendo:

- Sim, chamei sim, dona Morte, er, pra senhora me ajudar a por de volta este fardo nas minhas costas. É que ele me escapuliu, obrigado. Olha, daqui pra frente eu mesmo levo, pode ir e... não precisa voltar tão cedo, viu?

A morte de fato partiu e, depois daquele breve encontro... não é que o fardo do velho parece que ficou bem mais leve...

História da tradição oral recontada por Fabio Lisboa

Referências

Ouvi esta história contada por Ilan Brenman em 2012 na Casa da História - espaço cultural e sede das Meninas do Conto.

Imagem
Foto: http://www.cheddarcheesemedia.com/nepal/journal18.php

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IV Festival de Contadores de Histórias - CCBB 2014 - apresentações gratuitas


Toumani Kouyaté e Dinah Feldman se apresentam às 15h do dia 26 de janeiro (Foto: Roberto André/Divulgação)
 

Por GiraSP
 
Para celebrar o aniversário de 460 anos da cidade de São Paulo, o Centro Cultural Banco do Brasil – SP, por meio de seu Programa Educativo, realiza nos dias 25 e 26 de janeiro a quarta edição do Festival de Contadores de Histórias. O objetivo é fazer com que o público da cidade conheça e se reconheça por meio de histórias que apresentam as diversas identidades “presentes” na capital paulista.
 
Serão 14 apresentações gratuitas reunindo grupos e artistas representativos do gênero, tais como Ópera na Mala, Meninas do Conto, Kiara Terra, Cia do Solo, Cia Prosa dos Ventos, Trecos e Cacarecos, Cia das Cores, entre outros. Vale destacar ainda a participação do músico e ator africano, radicado na França, Toumani Kouyaté, que ao lado da atriz brasileira Dinah Feldman, irá narrar a história Kirin kirin.

História: Dois irmãos e um muro


História recontada por Fabio Lisboa

José e João eram dois vizinhos que viraram amigos muito próximos. Tão próximos que se consideravam irmãos. Tão próximos que pegavam emprestado as ferramentas da roça um do outro. Mas se um pegava uma foice, devolvia-a amolada. Se o outro pegava o rastelo com o cabo frouxo, devolvia-o com um cabo novo. Sempre trocando palavras e gestos de gentilezas e sabendo oferecer, quando preciso, não só uma mãozinha, mas perdão. Infelizmente, não no episódio da cabra sem dono.