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entrelaçada à empatia, mediação de leitura, educação, brincar, sustentabilidade e cultura de paz.

Uma ciranda pra Lia: Pra ler, contar, cantar e dançar!


Um livro que gira junto com a infância 🌊✨ Nas mãos do meu filho em meu colo, mais um livro brincante – aquele que, como nos conta a pesquisa da Juliana Pádua, facilita a mediação de uma leitura experimental, performática, lúdica, imaginativa, investigativa, na qual as regras da brincadeira “se fazem sendo”, ou seja, são criadas coletivamente com o leitor ou ouvinte no momento da leitura.

E que gostosura participar, na acolhedora Livraria Miúda, do lançamento desta obra sensível e movente: Uma ciranda pra Lia

Uma bela homenagem à figura tão relevante de Lia de Itamaracá — e também à própria manifestação popular da ciranda, tratada com a delicadeza de palavras versificadas que parecem convidar o leitor a, de fato, ampliar o olhar e dançar em roda de frente para o mar. 


 

Há beleza e sutileza no ritmo circular dos versos criados pelo talentoso autor (contador de histórias e músico!) Cristiano Gouveia — como se a história dessa eterna menina sonhadora e inspiradora fosse naturalmente cantada (e brincada) de mãos dadas. E as imagens, lúdicas como giz de cera, da artista, ilustradora e arte-educadora Layla Cruz, com seus tantos tons de azul em encantadores traços e poéticas pinceladas, nos emolduram junto à personagem nas areias da praia, colocando também o leitor (ou ouvinte), de verso em verso, para entrar na roda.

Um livro da editora caixote pra dar as mãos e se abrir de mão em mão.

Pra ler, brincar, cantar, tocar, abrir…

e até contar (ou cantar) em roda com ele

A sintonia não podia ser maior nesta obra em reverência à Lia, em formato sanfona - instrumento musical que é referência harmônica (tanto que é também chamado acordeão, outrora, harmônica de fole) e simbólica no universo das danças brasileiras e das cirandas - instrumento que, nas mãos da criança (ou de leitores mediadores), vira livro brincante, ao ser aberto e fechado, o ar entra e sai (dos pulmões a boca, da boca aos ouvidos, do fole das páginas aos olhos da imaginação) pra que seu som seja ouvido, seu conteúdo seja jogado e suas palavras criem vida, ritmo, movimento.

Aliás, que engenhosa arquitetura do papel que até para de pé e, assim, mesmo congelada no tempo, nos permite imaginar e até participar da roda rodando – agora e sempre! E que generosos os autores ao chamarem meu filho pra roda — mesmo que, naquele momento, fosse uma roda de uma criança só. Afinal:

“Esta ciranda não é minha só,

ela é de todos nós,

ela é de todos nós!” 

Enquanto isso:

Lia continua criando canções à beira-mar. Escreve na areia, imagina rimas que dão o tom da cantoria! Mas o mar vai e vem, a maré sobre e vai apagando seus versos… Será que isso vai apagar a memória da menina (e das cirandas brasileiras) e acabar com a brincadeira?

Claro que não.

Porque, mesmo depois da menina ter virado rainha da ciranda, mesmo após o livro ser fechado, a canção, a brincadeira e a história continuam de pé, rodando por aí… graças à Lia, ao Cris, à Layla e aos leitores (e ouvintes) navegantes 🌊💙

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Fotos: Raquel Catão (com exceção da selfie rs)

 


 


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