Aqui você encontra a arte de contar histórias (storytelling)
entrelaçada à empatia, mediação de leitura, educação, brincar, sustentabilidade e cultura de paz.

Rio de Histórias: do Tietê ao Tamanduateí

Foto: Juliana Roncada

por Fabio Lisboa

Venha se encantar com narrativas que usam topônimos como pontos de partida, como os rios paulistanos, unindo memórias, culturas e palavras. Com contos inspirados em tradições indígenas, africanas e caipiras, a sessão celebra a diversidade linguística e cultural que molda São Paulo.

Todas as pessoas são bem-vindas ao “Rio de Histórias Confluir contos, causos, sonhos e memórias, do Tietê ao Tamanduateí” com o narrador e escritor Fabio Lisboa. Uma viagem por saberes ancestrais, nomes de rios e lugares - e muita diversão! Bora refrescar a memória e mergulhar no imaginário que a fonte é inesgotável neste Rio de Histórias.

Participe e convide quem adora ouvir (e recontar) contos e causos!

Nesta quarta-feira, 25-06-25, às 10h, no Museu da Língua Portuguesa (@museudalinguaportuguesa), Pátio B.

Com a presença dos alunos da EMEF Espaço de Bitita (@espacodebibita) e quem mais quiser participar. Grátis.

O projeto É Hora de História conta com recursos da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo por meio do PROMAC (Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais). Foto: Juliana Roncada.

Leve o projeto até a sua escola, centro cultural, cidade.

Fabio Lisboa

Contador de histórias, autor premiado, mediador de leitura e palestrante há mais de 20 anos mas desde criança ouvia histórias de seu avô. Graduado em Letras-USP e pós-graduado em A Arte de Contar Histórias. Já contou em festivais nacionais, nas cinco regiões do país, e internacionais, no meio da neve, no Canadá, e no meio do deserto, nos Emirados Árabes! Fundador do blog www.contarhistorias.com.br Já semeou cidades leitoras em projetos extensivos e como assessor por mais de 5 anos em São Paulo (SP) - tendo sido formador do Programa Salas de Leitura e contribuído na escrita do Caderno Trilhas de Aprendizagem II - Educação Infantil), em Monte Belo (MG) e em Ivinhema e Angélica (MS) - alcançando todos os profissionais de educação infantil e professores orientadores de salas de leitura destas cidades - e em Sharjah (Emirados Árabes, eleita pela Unesco, em 2018, capital mundial dos livros), onde também é formador da Sharjah International School of Storytellers e fica à disposição para semear a leitura e as histórias pelo mundo - germinando as histórias, a leitura, a oralidade e o diálogo em sua escola, comunidade, cidade ou país.

 

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Brincar de Contar Histórias

Foto: Bianca Tozato

Fabio Lisboa conta histórias (com os ouvintes) brincando. São histórias que acabam em brincadeira (ou brincadeiras que viram história?)... Lendas, parlendas, charadas, e principalmente, claro, diretamente da tradição oral, contos que contam com desafios para os personagens - e ouvintes - brincantes.

 

Nesta sessão, de um lado, o rei curioso não sossega até desvendar uma charada indecifrável. Do outro, uma sábia anciã faz com que um pote (bem diferente!) mude pra sempre a impecável olaria do rei e seu jeito de encarar toda a gente. No fim, seja ancião, jovem ou criança todo mundo entra na história, na brincadeira ou na dança.

Ei, ei, ei, e pra completar, quem vai entrar também na roda e na brincadeira é o violeiro e mestre da cultura popular, Inimar dos Reis. E você, vem?

Contação de Histórias com Fabio Lisboa e Inimar dos Reis

SESC CAMPO LIMPO - dia 21-06-25 (neste sábado), 14h, no espaço Contâiner Exposição.

SESC SANTO AMARO – dia 26-07-25 (sábado), 14h, na praça coberta, no “Rolê nas Férias”

Gratuito (e não precisa de ingresso), basta chegar, então vem, vai!

Fabio Lisboa

Autor premiado, palestrante e contador de histórias profissional há mais de 20 anos mas desde criança ouvia as leituras de sua mãe e os causos de seu avô. Conta e forma pais, professores e outros profissionais em escolas, bibliotecas e empresas e já contou em festivais nacionais, nas cinco regiões do país, e internacionais, no meio do gelo, no Canadá, e no meio do deserto, nos Emirados Árabes! Graduado em Comunicação Social-ESPM e Letras-USP, Ludoeducador (e formador) pela IPA-Brasil (International Play Association - Associação Brasileira pelo Direito de Brincar e à Cultura) onde forma educadores, idosos, agentes do brincar e defende o brincar livre há mais de 15 anos, tendo colaborado na escrita de diversos guias e livros referência. Pós-graduado em A Arte de Contar Histórias: abordagens poéticas, literária e performática. Desenvolve projetos em centro culturais, escolas, editoras, bibliotecas, empresas, universidades, SESCs, livrarias, ONGs, TV Cultura e, desde 2023, brinca e conta histórias sempre com o seu bebê. Fundador do blog Contar Histórias www.contarhistorias.com.br

 

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Mediação de leitura, do imaginário ao concreto: O livro (e as histórias) como mediadores de afeto

Foto: Arquivo pessoal – Fabio Lisboa e seu bebê, aos 8 meses, desenvolvendo comportamento leitor e afeição pelos livros e pela leitura compartilhada.

por Fabio Lisboa

 A mediação de leitura desde o berço - no meu caso, ou melhor, de meu filho, desde o útero – a partir do quinto mês o bebê começa a reconhecer os sons externos e, ao longo dos próximos meses, vai distinguindo a voz das suas figurinhas preferidas, as figuras de apego como o pai e a mãe ou quem mais conversar, se aproximar e, muito em breve, cuidar de perto deste maravilhoso ser em formação. Bem, na verdade, independentemente de ter ou não o aparelho auditivo desenvolvido, na verdade, eu e minha esposa começamos a falar de amor com o nosso bebê desde que era embrião. Já do lado de fora, com o passar dos anos (ou meses, pois um nenê com nove meses, se for iniciado antes, já tem coordenação e interesse em virar as páginas dos livros e emitir sons correlatos ao que entende da história – bem, não necessariamente os sons que os mediadores esperam que faça, como imitar os personagens animais mas, ainda assim, sons divertidos e um blablablar envolvente) enquanto mexe o corpo e as mãos tentando segurar um livro aberto de frente para os olhos e começa a “ler o mundo” que se lhe apresenta ali. E como bem disse Paulo Freire – ainda que num contexto diferente, mas pertinente aqui - “a leitura de mundo precede a leitura da palavra” e é isso que concretizamos desde cedo com nossos “bebês leitores”.

Todavia, ainda que ame a concretude de manipular, virar as páginas, “ler” e um dia, de fato, imitar com perfeição os sons dos personagens - dependendo da obra, apertar botões que emitem sons, fazer aparecer abas ou pop-ups – e mesmo antes de falar, ao se fazer entender e pedir para os pais lhe lerem uma história, o bebê não está interessado só no desfrute de sua relação com o objeto livro, pois ele sabe que ganha também, com a leitura deste, o grande prazer de sua relação com quem lhe lê a história. O(a) pequeno(a) percebe a dedicação plena de sua figura de apego, o amor, a palavra, a prosódia, as entonações, descobertas e encantadoras nuances de uma narrativa em voz alta lida de perto por quem mais o bebê ama e sente o amor correspondido! O ouvinte ganha, com isso, a sua própria história de amor e desenvolvimento sendo, ao mesmo tempo (e além do tempo), contada e vivida. Vivida e (re)contada. E assim por diante, até o cair da noite e o se perder no tempo.

Pois quem aprender a ter livros (e-ou histórias contadas, mediadas e-ou dialogadas oralmente) como mediadores de afeto começou bem, aprende a ver (e imaginar) estrelas até nas noites encobertas, descobre que pode manipular a linha curta ou comprida do tempo e do espaço (do berço para o mundo e do tempo cronológico para o do “era uma vez..”) e sente que nunca mais estará sozinho na vida.

Mediação de Leitura com Contador de Histórias

Foto: Juliana Roncada

Leitura, Aventura

O contador de histórias e mediador de leitura Fabio Lisboa desbrava, a partir das páginas dos livros, florestas encantadas, savanas intrigantes e até o inóspito polo norte. A viagem aventurosa atravessa não só lugares incríveis como o próprio tempo. Afinal, nestas sessões mesclando mediação de leitura e contação de histórias, uma hora passa voando e o "O tempo para ler e ouvir histórias, assim como tempo para amar, dilata o tempo para viver."

Atividade gratuita de Mediação de Leitura pra todas as idades, no Sesc Santo Amaro (São Paulo), aos domingos de maio, das 13h30 às 14h30, nos dias

04-05-25: Leitura, Aventura

11-05-25: Mapa de Sonhos

18-05-25: Histórias que saem dos livros

25-05-25: Histórias que nos leem

Foto: Juliana Roncada

Sinopses:

História: Que silêncio!

Por Fabio Lisboa


A noite estrelada, enluarada e tranquila estava perfeita para um passeio ao redor da lagoa próxima ao templo.

Após caminhar um pouco, ao lado do silencioso mestre, o discípulo comenta:

- Que silêncio!

- Não diga “que silêncio”, diga “não escuto nada”. 

- Que diferença faz, mestre?

- Faz toda a diferença se você, em vez de dizer, apenas pensar e, depois disso, parar de pensar alto até conseguir escutar, de fato, o que lhe diz o silêncio da noite.

Caminharam mais um pouco. O discípulo continuava inquieto:

- Pois se fizer isso, o que poderia escutar, mestre?

- É possível que escute o brilho das estrelas e o reflexo da Lua; o murmúrio das águas e a prosa dos ventos; o coro de cigarras e sapos… ou o voo silencioso dos pássaros. Talvez escute também os nossos passos à pé - e até pensamentos -, suaves ou ruidosos, ou ainda, o que mais ouvir que a noite lhe disser… isso até uma voz cortar o silêncio.

- E o que diz esta voz, mestre?

- Que silêncio!

 Reconto de Fabio Lisboa livremente inspirado em história da tradição oral

Imagem: IA por Fabio Lisboa e Bing.

Uma maratona de histórias em nossa passagem pela vida

 

A história da maratona se origina na lenda grega de um herói mensageiro, Fidípedes, que carrega em seus passos uma esperança e em sua memória uma palavra que vai desvelar e, dessa forma, selar (ou apaziguar) o destino de um povo. Eis que, depois de Fidípedes percorrer os 42 km que o separam de seu destino final, exausto, consegue forças para, ao pronunciar a tal palavra, acabar, de fato, com uma guerra – ainda que, no momento seguinte, tenha que encarar de frente a finitude da vida, no caso, da própria vida. A partir de então, cumprindo o seu destino, podemos imaginar que nossos heróis e heroínas continuam suas infindáveis corridas entre as estrelas. E talvez nunca terminem as suas provas e nunca parem de iluminar e delinear caminhos enquanto continuarmos (re)contando as suas histórias. No rastro da tocha - carregada por inúmeras pessoas de todas as origens e culturas - nossos heróis nos dão provas que também devemos continuar em frente em nossa jornada pela Terra, sempre que possível, multiplicando seus atos (até que virem nossos atos) heroicos, fazendo brilhar as suas (e nossas) palavras-luz, fazendo germinar palavras-semente.

Das mitologias greco-romanas e de povos originários das Américas, de um tempo além do tempo à contemporaneidade, de terras longínquas a escolas próximas - centrais e, principalmente, periféricas - foi uma corrida e tanto circular pelos quatro cantos da cidade por 15 CEUs (Centros Unificados de Educação) com a sessão de contos "Maratona deHistórias - dos Heróis da Mitologia aos Heróis das Olimpíadas". Para tanto, agradeço por toda a ajuda no Recreio nas Férias – durante o qual atendemos mais de 2 mil pessoas dentre os quase 50 mil alunos da rede pública (crianças, bebês e jovens) participantes nesta 44a edição (jul/24), projeto do qual participo há mais de 20 anos! Pessoal da secretaria municipal de educação de São Paulo e das unidades escolares, bibliotecas e CEUs sempre muito acolhedor, dando todo o apoio às crianças e aos artistas e o resultado foram os ouvintes entusiasmadas com as histórias, com os esportes, as olimpíadas e torcer pelo Brasil e pela vitória, em tantos sentidos, juntos!

 

Confesso que não foi fácil pois, um dia antes do início, meu maior herói olímpico, meu pai, teve que ser internado e fui quase todos os dias depois das sessões de contação de histórias cuidar dele no hospital (contando também com o meu irmão e, a todo o momento, os cuidados de minha mãe) mas, mesmo com a sua força e perseverança, e a cuidadosa equipe do Hospital Paulistano, infelizmente, perdeu a batalha para um câncer severo no dia 03/08/24. Meu pai, Joaquim Rosa, 84, veio do interior e da periferia, foi corredor, maratonista e nunca desistiu dos sonhos e - direta, ou indiretamente - a ele dediquei as sessões desta Maratona de Histórias. Numa delas uma criança me disse: "- É contador, agora seu pai está correndo a maratona da vida." E de um jeito ou de outro ele vai chegar lá, todos vamos. No trajeto, todavia, sua passagem abriu caminhos para os sonhos de tanta gente humilde, como a minha avó Augusta Rosa, a quem ele ajudou até o fim e ela, por sua vez, ajudou a sua cidade, Guaíra, trazendo curas sem cobrar nada pois era benzedeira. Meu pai ajudou o filho a nunca desistir de levar alegria, imaginação, sonhos e realizações para os ouvintes, em especial, às crianças.

 

Que na reta de chegar desejo que a gente olhe pra trás e veja que o mundo ficou um pouco melhor com nossa passagem. Que cada educador(a), progenitor(a) e artista encante com as histórias e também seja encantado por elas e pelas crianças. Que na estrada - outrora pedregosa - haja flores e novos caminhos para traçarmos, juntos, belas histórias. Que as palavras sejam luz que ilumina nossa jornada pela vida.

 

Fabio Lisboa

www.contarhistorias.com.br

https://www.instagram.com/fabiolisboahistorias

 


Imagens:

Ilustrações: Pep Montserrat, Mitos Gregos, Eric A. Kimmel, trad. Mônica Stahel, editora WMF Martins Fontes

Corredores de longa distância, representados em vaso, Grécia antiga, datado de 333 AC; British Museum - https://www.britishmuseum.org/blog/marathons-ancient-origins

Foto: Fabio Lisboa conta a Maratona de Histórias nos CEUS (Centros Unificados de Educação) em julho de 2024.