Aqui você encontra a arte de contar histórias (storytelling)
entrelaçada à educação, literatura, brincar, educação ambiental e cultura de paz.

O imaginário transformador em sala de aula

Objeto que vira brinquedo, brinquedo que vira personagem, personagem que vira criança

Como é possível - ao brincar e contar histórias - que uma coisa vire outra (objeto-brinquedo, brinquedo-personagem, personagem-criança)? E o professor, pode facilitar estas transformações?

O que faz um objeto virar brinquedo? A imaginação. O poder da imaginação pode ser facilmente acessado pela criança e cabe ao professor propiciar este encontro frutífero: o objeto e a imaginação lúdica. Ao deixarmos o material encontrar o impalpável, o fixo vira mutável, o óbvio vira surpresa: o objeto vira brinquedo! Com o objeto em mãos e a mente livre, criança e professor irão inventar novos usos para o uso cotidiano ou, partindo de uma semelhança, vão extrapolar – criando, por exemplo, de um retalho amarelo, o sol.


O que faz um brinquedo virar personagem? A história. Para a contadora de histórias Kelly Orasi, mestra no uso de objetos em narrativas, o objeto é como um fósforo que pode acender o fogo da imaginação infantil. É bom lembrar que um fósforo sozinho não faz fogo. O objeto, ao ser manipulado e elevado à qualidade de brinquedo, começa a ganhar características que, aí sim, vão além de seu uso cotidiano. O objeto-fósforo, aquele que acende a curiosidade, vai virar um brinquedo que faz parte de uma história, e a criança vai querer participar desta aventura maior... Ao ser contextualizado numa estória, o brinquedo ganha história. Ganha personalidade e energia. Sentimentos partem dele e vão a busca dele.

O que faz um personagem virar criança? A imaginação e a identificação com a história. As histórias podem funcionar como espelhos que refletem nossas alegrias, aflições, buscas... Mas, para isso, antes de tudo, é preciso que o narrador se deixe relacionar (e identificar diferenças e, principalmente, similitudes dele) com a história e com características de seus personagens.

O que faz estas três transformações ocorrerem em sala de aula? É preciso deixar a auto-crítica de lado e entrar no mundo da fantasia com as crianças. Recursos como objetos (que viram brinquedos que viram personagens) podem ajudar. Recursos visuais, efeitos e trilha sonora também. Mas o essencial é acreditar que aquele retalho amarelo é mesmo o sol.

Fabio Lisboa
http://www.fabiolisboa.blogspot.com/

Referências Bibliográficas
CAMPBELL, Joseph - O poder do mito – São Paulo: Palas Athena, 1990
JOBIM e SOUZA, Solange – Infância e Linguagem: Bakhtin, Vygotsky e Benjamin. Campinas, SP, Papirus, 1994
MACHADO, Regina - Acordais: fundamentos teórico-poéticos da arte de contar histórias - São Paulo: DCL, 2004
MARTINS, Marilena Flores - Brincar é preciso / ilustrações de Jonatas Tobias, Sao Paulo: Evoluir Cultural, 2009

Referências sobre oficinas e apresentações de Kelly Orasi:
http://www.trecosecacarecos.com.br

O texto acima acompanha uma Palestra-Oficina.

já realizada no XX Congresso de Educação do SINPEEM
(Sindicato dos profissionais em educação do município de São Paulo)
27 a 30 de outubro de 2009 - Palácio das Convenções do Anhembi – São Paulo – SP
Tema geral: Mudanças em educação: o tênue equilíbrio entre o tradicional e o novo
Eixo-temático: Isso não é brincadeira - o brinquedo, a fantasia, a infância...
Palestrantes: Fabio Lisboa e Ilan Brenman

2 comentários:

augusta maria disse...

Assisti, melhor participei de sua palestra hoje no Congresso do SINPEEM, Parabéns, foi simplesmente lindo! Isto é o melhor simplesmente..... faz com que pessoas como eu, na educação a mais de 20 anos, tenhamos a certeza de que estamos no lugar certo e que vale a pena ousar. Mais uma vez Parabéns... Amei...
Augusta

Fabio Lisboa disse...

Puxa, Augusta,

Eu que fico entusiasmado que tenha gostado tanto e mesmo depois de tanto tempo na sala de aula ainda mantenha sua capacidade de imaginar, ousar e transgredir (e não simplesmente cumprir tabela) ao educar!

Por favor, me mande seu e-mail ou cadastre-se no blog, gostaria de saber mais de suas experiências inovadoras ao contar histórias na educação.

Se possível, leia a postagem abaixo “Professores contado (suas) historias” e compartilhe alguma “das suas” conosco!

Um abraço,
Fabio

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