Aqui você encontra a arte de contar histórias (storytelling) entrelaçada à empatia, mediação de leitura, educação, brincar, sustentabilidade e cultura de paz.
"Nasrudin," seu amigo lhe disseum dia,"Estou me mudando para outra aldeia.
Você me presentearia com o seu anel? Dessa
forma, euvou me lembrar de vocêcada
vez que euolhar para ele..."
"Bem", ponderou Nasrudin,
"você pode perder o anel e,
em seguida, vai se esquecer de mim. Que
tal se eu fizer o favor de não lhe dar o anel, assim, toda vez que você olhar parao seu dedoe não ver o anel, você com certeza vai se lembrar de mim!"
Conto da tradição oral sufi | Reconto: Fabio Lisboa
O califa contratou um contabilista que se disse
honesto e exímio em contas. No dia marcado, o profissional entregou as contas num
bonito papel contendo uma extensa planilha.
Todavia, quando o califa conferiu o trabalho, esbravejou:
- Se tivesse me roubado, mandaria que lhe cortassem a mão, mas como você errou
alguns cálculos desta planilha, vai ter que comê-la!
Enquanto o descuidado contador cumpria seu castigo, o califa mandou chamar
Nasrudin, este sim um mestre em matemática e honestidade.
- Nasrudin, vocé é capaz de me entregar as minhas contas de forma impecável?
- Sem dúvida, senhor, como 2 e 2 são 4.
Depois de alguns dias, Nasrudin voltou à presença do califa e lhe entregou as
contas. O homem ficou surpreso:
- O que é isso, Nasrudin? Você escreveu as contas num pão sírio?
- É que além de honesto e bom em contas, sou também prevenido, senhor.
História da tradição oral
sufi - Reconto: Fabio Lisboa
Referências
Livro: 200+ Mulla Nasrudin Stories and Jokes –
OHEBSION, Rodney (Kindle edition – loc 103)
História da tradição oral
sufi recontada por Fabio Lisboa
Nasrudin foi convidado para um jantar suntuoso no
palácio do emir. O mulá apareceu ao banquete de gala montado em sua mulinha,
com suas roupas mais simples e surradas. Nem é preciso dizer que ele sequer
conseguiu passar do portão de entrada vestido daquele jeito.
Naqueles tempos, Nasrudin começou a perder sempre a hora, seus horários se desencontravam com os de sua esposa, não só pela correria do dia-a-dia, mas por culpa do relógio de parede desregulado, que ora estava adiantado, ora atrasado.
A esposa de Nasrudin não demorou a reclamar: - Nasrudin, nossos horários não batem, esse seu relógio está sempre errado, você não vai tomar uma providência?
Pois as pessoas daquela cidade não. Não sei se era excesso de poluição no céu ou de congestionamento nas mentes.
Mesmo naqueles tempos, quando ainda se pegava água no poço e não havia tantos congestionamentos, ninguém tinha tempo pra nada, muito menos para olhar para o céu enluarado. Ninguém queria ficar com a cabeça na lua.
Quer dizer, ninguém, a não ser Nasrudin.
O sábio Nasrudin não perdia a inocência e o brilho no olhar ao olhar para a Lua. Todos os dias ele fazia esse exercício do olhar... bem, com exceção do dia em que a necessidade o deixou cego, desesperado, cabisbaixo: o mulá estava com tanta sede que saiu correndo, no meio da noite, até chegar esbaforido para pegar água no poço. Nem por um segundo ele olhou para o alto. No entanto, olhando para baixo, ele teve uma surpresa! Uma surpresa vinda do fundo do poço!
Mas será que as pessoas vão entender que surpresa era aquela? Vão deixar a surpresa sair do fundo do poço? Vão olhar para o alto?
Será que um dia vamos enxergar de novo um maravilhoso brilho que vimos quando éramos crianças ao olharmos para o céu...
Mesmo na correria, se você tiver 2 minutos e meio para ouvir, Nasrudin responde :O)
Nasrudin e o brilho da Lua
Fabio Lisboa no Programa Quintal da Cultura conta Nasrudin e o Brilho da Lua (TV Cultura)
(caso não consiga assitir clicando na imagem acima, copie e cole o link abaixo em seu navegador)
Esta é a última das melhores postagens 2011 divididas por temas – desta vez o nosso tema preferido (claro): histórias!
No blog há adaptações de Hans Christian Andersen, Nasrudin, Malba Tahan, história indígena, zen budista e da tradição oral. Tragédias, anti-heróis (internos e externos) e medos confrontados pela fé, heroísmo, diálogo e gentileza. Valores humanos na busca de uma cultura de paz.